Teatro ensina a usar o dinheiro

por Marcelo Onaga – Portal EXAME

Uma parceria entre a empresa de pagamento eletrônico Visa e o Banco do Brasil levará ao palco uma peça chamada “Teatro Finanças Práticas”. O espetáculo estreia na próxima segunda-feira, às 15h, no Centro Cultural do Banco do Brasil, em São Paulo. A plateia será composta exclusivamente por estudantes de 10 a 17 anos das escolas públicas convidadas para assistir ao projeto, que estará em cartaz durante dez segundas-feiras. A ideia do roteiro é mostrar por meio de três atos como é possível o adolescente economizar a própria mesada, ajudar a diminuir as despesas do lar e fazer um planejamento financeiro para a vida adulta. Para tornar esses temas mais palatáveis e interessantes, serão contadas histórias do cotidiano de meninas e meninos que aprenderam o significado das finanças pessoais na prática.  A iniciativa, que deverá contemplar outras cidades brasileiras, faz parte do programa de educação financeira da Visa, que, no ano passado, em parceria com o Banco do Brasil, lançou um game que ensinava conceitos sobre investimentos por meio de uma partida de futebol. (T.B.)

quarta-feira, 5 de maio de 2010 – 13:35

http://portalexame.abril.com.br/blogs/primeiro-lugar/2010/05/05/teatro-ensina-a-usar-o-dinheiro/

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Essa notícia me levou a relembrar uma experiência recente que tive com este assunto. Pude participar de uma palestra sobre educação financeira ministrada por um grande banco e o que vi por ali me surpreendeu. Comecei a refletir sobre aquela iniciativa. Afinal, por que razão a educação financeira se tornou uma preocupação de algumas empresas, especialmente bancos?

Penso que a falta de crédito é um problema para o mercado. As empresas não querem quem não pode pagar pelos seus serviços. Além de ser um problema social, a dificuldade de administração do dinheiro representa um problema também para as empresas. Mesmo o financiamento e o crédito não são vendidos a quem não tem condições de pagar por eles. Portanto, saber lidar com o dinheiro é bom para as empresas.

Além disso, quem tem dinheiro e sabe poupar, usa-o para ganhar mais dinheiro. O mercado financeiro de ações é um bom exemplo de como fazer seu dinheiro render e também enriquecer os bancos. Também temos outros produtos como seguros, previdência etc. Eles também ensinam esses “macetes” às crianças e jovens.

É por essas e outras que desconfio fortemente de iniciativas como essas. Ficamos com a sensação de que está havendo uma humanização do mercado, mas na prática, o que existe são meros ajustes para que não haja perdas futuras. Mera gestão de negócios, fidelização de clientes, e toda a conversa fiada que já conhecemos.

Agência chama criança de Pateta para vender viagem

20/04/2010

Renata, 11, combinava com uma amiga viajar em julho para a Disney. Questionada pela mãe, que não sabia de excursão nenhuma, a menina pegou uma pasta com preços do pacote tu­rístico e uma foto em que, ao la­do da colega e de um boneco do personagem Mickey Mouse, segurava a placa com os dize­res: “Se eu não for para a Disney vou ser um Pateta”.

A pasta foi entregue na escola onde a menina estuda, o Liceu Di Thiene, em São Caetano(Grande São Paulo), no começo do mês passado. Era uma pro­moção da agência de viagens “Trip&Fun”, que organiza via­gens de crianças e adolescentes também para Cancún, Barilo­che e Costa do Sauipe.

Com a publicidade que já le­vou o personagem da Disney para dentro de mais de dez es­colas, e tira fotos com as crian­ças segurando plaquinhas co­mo a do Pateta, a agência levaráem julho cerca de mil criançaspara o parque em Orlando. Os pacotes custam a partir de R$5.216, para 13 dias em quarto quádruplo (o mais barato).

“Quer dizer que você é uma pateta porque você não vai?”,perguntou à filha Renata a pe­dagoga Roberta, 40.

A menina diz que ficou triste. “Queria muito ir. Quase todomundo da sala vai”, conta. Para a mãe, que fala em processar a agência, o sentimento predo­minante foi a vergonha em re­lação aos colegas. “Ela ficou cla­ramente constrangida.”

A agência e a escola afirmam que não pretendiam constran­ger ninguém e que a placa do Pateta era apenas uma brinca­deira.

O promotor da área do con­sumidor João Lopes Guima­rães Júnior diz que o caso ilus­tra bem os abusos na publicida­de infantil. “De uma turma de cem crianças, 80 vão viajar. As que não vão, porque os pais não
querem ou não têm dinheiro,serão chamadas de Pateta. Já temos problemas sério de bull­ying nas escolas. Essa empresa está criando uma situação pro­pícia para isso. Como se pode falar em preservação da ima­gem da criança com esse tipo de publicidade?”, diz.

Publicidade infantil

Para o promotor, a ação da agência de turismo fere os arti­gos 15 e 17 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que prezam pelo “respeito à digni­dade e a inviolabilidade da inte­gridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente”.

O Instituto Alana, ONG que trabalha para regulamentar a publicidade infantil, critica as ações em escolas. “Muitas ve­zes, acontece e o pai nem sabe. É absurdo isso ser feito dentro das escolas”, diz Laís Fontene­ lle Pereira, coordenadora de educação da ONG.

O Conar (conselho de autor­ regulamentação publicitária) já baniu propagandas por consi­derá-las desrespeitosas, como uma do ovo de Páscoa Traki­nas, de abril de 2008, que dizia: “Quem não dá ovo é um mané”.

Folha de S. Paulo
, Cotidiano, 20/4/2010
Link: http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/ult10038u723037.shtml

Outro lado

Para agência e escola, placa é só brincadeira

A agência Trip&Fun afirmou que a placa que as crianças do Liceu Di Thiene e mais de outras dez escolas seguravam na foto e que faziam referência ao Pateta era apenas uma brincadeira. A empresa disse também que recebeu uma reclamação de uma mãe de aluno do colégio e imediatamente excluiu a placa com esses dizeres da promoção nas escolas.

Henrico Esichiel, diretor de marketing da agência, afirmou ontem que a campanha nas escolas oferece aos estudantes “outras opções de placas”. Entre elas, as que dizem: “Mãe, quero conhecer o Mickey de verdade” e “Meu presente de Natal já escolhi, ir para a Disney com a Trip&Fun”.

“Os alunos escolhem a que eles querem segurar. [A do Pateta] é a mais popular, a que eles acham mais legal”, diz.

A empresa diz que a promoção já aconteceu em pelo menos dez escolas e, na metade delas, a placa foi usada.

A aluna Renata confirma que escolheu a placa. “Era a mais legal. O Pateta é o de que eu mais gosto, é o mais engraçado.”

Escola

O Liceu Di Thiene diz que uma coordenadora da escola acompanhava as crianças na hora das fotos, mas que ela não viu nada de errado na frase.

“Ela não viu a mensagem da forma [pejorativa] que está sendo colocada”, diz um dos diretores da instituição, Eleandro Monteiro.

“Eu não entendo que o Pateta é um pateta. Pateta é o nome de um personagem. Vocês estão criando um negócio que é absurdo”, complementa.

Ele disse, no entanto, que, ao receber uma reclamação de uma mãe, entrou em contato com a agência e pediu para que a placa deixasse de ser usada.

“[A placa] não tinha a intenção de constranger ninguém.

Só uma mãe me questionou, nenhuma criança levou isso tão a sério”, diz o diretor. A mãe de Renata disse que não foi ela quem levou o caso do Pateta à direção do colégio.

O colégio cobra mensalidades em média de R$ 500 no ensino fundamental e tem cerca de 400 alunos.
“Nenhuma criança chamou a outra [de Pateta]. O perigo de tudo isso é essa mãe [que fez a denúncia à Folha] expor a criança dessa forma.”

Colaboraram FERNANDO ITOKAZU, da Reportagem Local, GUILHERME GENESTRETI e LUIZ GUSTAVO CRISTINO

Folha de S. Paulo
, Cotidiano, 20/4/2010
Link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2004201003.htm

ANÁLISE

Para que se educa?

Por Michelle Prazeres*

No ato de uma empresa de turismo usar escolas como mídias para divulgar viagens à Disney está em jogo, acima de tudo, uma concepção de educação. Para que educamos? Para o desenvolvimento? Para o crescimento? Para sermos bem-sucedidos no mercado de trabalho? Para a vaidade e o hedonismo? Para a cidadania e a dignidade? Ou a ênfase está na formação de consumidores?

Interessa aqui discutir a educação como processo amplo de formação dos indivíduos, socializados por influência de múltiplas matrizes culturais, que transmitem valores, visões de mundo, saberes e percepções.

Na modernidade, as mídias e a publicidade despontam como matrizes que -com a família, a escola, os grupos de pares, os colegas de trabalho e outras instituições- são responsáveis pela formação das pessoas.

Nessa iniciativa, a escola se alinha ao discurso do consumismo que vemos hoje em dia, em especial na mídia dirigida a crianças. Quando a escola se entrega a esse projeto, fica comprometido o seu papel enquanto reduto de reflexão e o sentido da educação como processo de preparação para a vida.

A escola é o lugar do saber legítimo, que se crê oficialmente importante para ser passado. O problema é que, historicamente, esse saber é produto de disputas de poder nem sempre democráticas. E se, nos tempos modernos, um dos vetores de poder é a publicidade (o mercado), seria “natural” que ela estivesse na escola.

Mas, se o “clima pró-consumo” já existe em tantas outras instâncias, a escola deve reforçá-lo? Ceder ao apelo publicitário é empobrecer o sentido humano da educação. E esse sentido enxerga nas crianças outras possibilidades além de consumidores: leitores, produtores de conhecimento, investigadores, críticos, lúdicos etc.

Hoje, todo espaço público, todo corpo pode virar um meio de divulgar uma marca. Na escola, a criança percebe aquele discurso como positivo e, mais grave, que tem o respaldo de pessoas em quem ela e os pais confiam. E tudo de maneira dócil. Por isso não nos causa incômodo. Mas deveria incomodar.

*Michelle Prazeres, jornalista, desenvolve pesquisa sobre a entrada das mídias nas escolas em doutorado na Faculdade de Educação da USP.

Folha de S. Paulo, Cotidiano, 20/4/2010
Link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2004201004.htm

entrevista

“Escola é diferente de shopping”

Para João Matta, professor de publicidade infantil da ESPM, há excesso de moralismo nos que criticam a publicidade para crianças e pedem seu banimento. Ele afirma, porém, que a escola é “um espaço que precisa ser preservado”. “É diferente de um shopping.” (TB)

FOLHA – Por que fazer publicidade para criança?
JOÃO MATTA –
Quando você tem uma publicidade feita para a criança, também indiretamente atinge o pai. O que se busca na publicidade infantil é o envolvimento da criança no mercado consumidor porque ela é uma consumidora. Há produtos em cuja compra a criança influencia muito mais, como no caso dos brinquedos.

FOLHA – Como vê as críticas à publicidade infantil?
MATTA –
O que me preocupa é um excesso de moralismo em relação ao público infantil, desprezando um pouco a capacidade dele. É lamentável [defender que não haja propaganda para crianças]. A criança não tem só o estímulo do produto infantil. Ela assiste à novela das oito, ela tem acesso ao noticiário, viu a simulação da morte da Isabella [Nardoni] na TV mais de 50 vezes, que é absurdamente mais agressivo que uma propaganda que fale para ela comer uma maçã, que a propaganda de uma boneca.
Mas na escola tenho uma visão mais pragmática. É um espaço que precisa ser preservado. É diferente de um shopping.

Folha de S. Paulo, Cotidiano, 20/4/2010
Link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2004201005.htm

Fonte: Instituto Alana – notícias

Leonardo Boff- A Terra sujeito de dignidade e de direitos

Neste texto, publicado no Instituto Akatu, o teólogo e professor Emérito da UERJ  toca nos aspectos principais de suas reflexões, publicadas em seus livros. O autor parte da idéia central de que a Terra em si é um organismo vivo e, por isso, precisa ser cuidada como todo ser vivente.Ele se apóia especialmente na ciência cosmológica e na física quântica.

Assim, é preciso compreendê-la como um organismo autônomo, passível de direitos, que seriam “[…] de poder continuar inteira, limpa e com capacidade de reprodução e de regeneração.”

Partindo deste pressuposto, “está em discussão um projeto na ONU de um Tribunal da Terra que pune quem viola sua dignidade, desfloresta e contamina seus oceanos e destrói seus ecossistemas , vitais para a manutenção dos climas e da vida”.

É uma visão interessantíssima. O texto é sucinto, quem quiser conhecer mais sobre esta teoria, sugiro a leitura dos livros do autor, bem como do DVD “A Quatro Ecologias”. Infelizmente ainda não está disponível no youtube, mas pode ser comprado neste link.

Para ler o texto, clique aqui

Recife retira livro sobre educação sexual de escolas

‘Mamãe, como eu nasci?’

Letícia Lins

RECIFE. Escrito por um autor premiado pela Academia Brasileira de Letras e considerado referência nacional no tema da educação sexual infanto-juvenil, o livro “Mamãe, como eu nasci?”, de Marcos Ribeiro, foi recolhido ontem das escolas da rede municipal de Recife. A ordem partiu da Secretaria de Educação, depois que o livro despertou polêmica entre professores, alunos e até na Câmara Municipal, onde chegou a ser chamado de “cartilha pornô”.

O livro aborda o sexo sem disfarce e é farto em ilustrações, inclusive com cenas de masturbação. Um menino manuseia o órgão genital ao tomar banho numa banheira, e uma menina faz o mesmo assistindo à televisão.
Sexo será um tema sempre polêmico, até o Brasil se tornar um país desenvolvido. É um assunto tão controvertido quanto aborto, homossexualismo e drogas

A publicação tem 18 anos, é aprovada pelos Ministérios da Saúde e da Educação, e adotada por estados e municípios de todo o país. Só este ano começou a ser distribuída em Recife. Foi entregue a 25 mil alunos com idades entre 7 e 10 anos.

As reações começaram na última quinta-feira, logo após a entrega do livro aos alunos. Na Escola Municipal Santo Amaro, a vendedora Aline Maciel, de 20 anos, disse que chegou a esconder o livro da irmã de 9 anos, temendo a reação do pai, que “é muito tradicional”. Na sexta-feira, o secretário de Educação, Cláudio Duarte, disse que o livro seria mantido. Mas, anteontem, a reação chegou à Câmara. O vereador André Ferreira (PMDB) disse que a obra contém “explicações estarrecedoras” sobre o sexo e, com outros três vereadores, pediu o veto à publicação.

O secretário mandou recolher os volumes, mas disse que a medida não é definitiva:

– Sexo será um tema sempre polêmico, até o Brasil se tornar um país desenvolvido. É um assunto tão controvertido quanto aborto, homossexualismo e drogas. Estamos orientando o recolhimento do livro para construir uma abordagem metodológica. Faremos um debate sobre o tema, ouvindo pais, diretores e professores. Não estamos nos rendendo à crítica política, apenas abrindo o debate técnico.

O Globo, 28 abr. 2010.

Escolas públicas discutem consumo consciente

Notícias

12/4/2010

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Akatu capacita mais de 200 professores e leva temas de consumo consciente e sustentabilidade a mais de 2 mil alunos de escolas públicas estaduais de cinco Estados

Por Rogério Ferro, do Instituto Akatu

Desde o mês passado, cerca de 2 mil alunos de 14 escolas públicas distribuídas por cinco Estados do Brasil – Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso, Rio Grande do Norte e Roraima – estão discutindo e refletindo sobre conceitos de consumo consciente e sustentabilidade em sala de aula. A ação constitui a segunda fase do projeto piloto Educação para o Consumo Consciente e Sustentabilidade Ambiental que, em 2009, capacitou 206 professores para a temática. O projeto é desenvolvido pelo Akatu em parceria com secretarias estaduais de Educação e patrocinado pela HP Brasil, parceira pioneira do Akatu.

Na primeira etapa do projeto, os professores participaram de uma formação sobre consumo consciente e sustentabilidade com carga horária de 30 horas. Ao final dessa etapa, cada professor que participou da formação elaborou um projeto temático contendo atividades a serem trabalhadas com os alunos durante o primeiro semestre de 2010.

“Demos liberdade aos professores para que, ao elaborarem seus projetos temáticos pudessem levar em conta a realidade da escola e da comunidade do entorno, buscando atividades que despertem nos alunos a preocupação com a sustentabilidade da vida no Planeta por meio do consumo consciente”, explica Camila Melo, coordenadora do projeto.

Gestão de resíduos, consumo consciente, água, economia solidária e consumo e desigualdade social são os temas mais reincidentes entre os projetos elaborados pelos professores e que estão sendo transmitidos aos alunos neste semestre.

“A participação dos alunos é animadora. Eles gostam do que é diferente, por isso a recepção deles é excelente, demonstrando muito interesse”, relata Vilma Rosane Arrial, professora da Escola Estadual Sylvio Torres, no Rio Grande do Sul, que trabalha o tema Consumo Consciente e Economia Solidária. A professora revela também que, apesar do apoio da diretora da escola e dos alunos, desenvolver a questão ambiental vinha sendo “desgastante” por falta do envolvimento e comprometimento da comunidade. Entretanto “a partir da parceria com o Akatu, isso mudou. O posto de saúde nos propôs um projeto conjunto, um grupo de ‘amigos da escola’ iniciou um trabalho conosco e cada vez mais professores se juntam ao projeto. O sonho tem chances reais de se concretizar”, festeja.

Para Heloisa Mello, gerente de operações do Instituto Akatu, “o projeto responde de forma direta a intenção do Akatu de atuar em escala e velocidade maiores, para ampliar os impactos das ações do instituto”.
“A escola é um espaço fundamental para a formação do cidadão; com projetos como este, portanto, o Akatu contribuirá de forma mais sólida e eficaz para que professores e alunos se tornem potenciais agentes transformadores da sociedade em busca da sustentabilidade”, diz Heloisa.

“Colocamos nossos esforços nas escolas garantindo que consumidores de hoje e amanhã possam ter essa educação que lhes permita escolher melhores práticas, hábitos e até produtos que vão utilizar hoje e no futuro”, declara Kami Saidi, diretor de operações da HP Brasil, que financia o projeto.

O projeto
A primeira fase do projeto foi implantada em 2009 e foram testados três modelos de formação de professores: presencial, semipresencial e à distância. “Esperávamos formar uma média de 120 educadores e, para a nossa surpresa, alcançamos 206. E esse número nos revela o interesse dos professores pela temática, tão urgente em nosso tempo, e nos motiva a continuar disseminando o consumo consciente para esse público”, afirma Camila Melo.
A avaliação dos processos, conteúdos, materiais e resultados das formações e do trabalho com alunos será feita no início do segundo semestre de 2010.  Ao final deste trabalho, o Akatu estima que, além dos mais de 2 mil alunos do ensino fundamental 2 que já vêm discutindo conceitos e práticas de consumo consciente, terá atingido um público indireto estimado em mais de 7.000 pessoas, entre familiares, comunidade escolar e entorno. Outro resultado importante será a identificação de um modelo de formação para o consumo consciente e a sustentabilidade ambiental que será adotado para a continuidade do projeto pelas escolas públicas no Brasil.

Para dar apoio aos professores na realização de seu Projeto Temático, foram enviados 120 livros para cada escola, contendo o material paradidático “Trilha do Consumo Consciente: suas escolhas transformam o mundo”, elaborado pelo Instituto Akatu e voltado aos alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental. Estes livros poderão ficar na biblioteca da escola à disposição dos alunos.

Como complemento ao livro, o Akatu desenvolveu uma plataforma de ensino à distância que, na primeira etapa do projeto, serviu apenas aos professores participantes do modelo à distância e do modelo semipresencial. A partir de agora, a plataforma poderá ser utilizada por todos os professores participantes do projeto, servindo como uma comunidade virtual de aprendizagem em que, além de visualizar os módulos de formação, os professores poderão ter acesso a conteúdos complementares, disponibilizados na biblioteca virtual, tais como vídeos, textos e links.

Na plataforma, os professores também poderão conhecer todos os projetos temáticos criados pelas escolas dos cinco Estados, além de trocar informações e sugestões com todos os professores envolvidos e com a equipe do Akatu. Dessa forma, todos serão beneficiados com as diferentes oportunidades de disseminação do tema.

Fonte: Instituo Akatu

O ranço ideológico na educação

07/04/2010
– O Estado de S.Paulo

A exemplo do que ocorreu com as Conferências Nacionais de Comunicação e Direitos Humanos, as propostas aprovadas pela 1.ª Conferência Nacional de Educação, que foi encerrada na última quinta-feira com a participação do presidente Lula, têm como denominador comum a expansão do dirigismo estatal e a supressão da liberdade de iniciativa no setor. Atualmente, as universidades particulares respondem por 75% das matrículas do ensino superior no País e muitas delas, além de abrir capital, têm recebido vultosas somas de fundos de investimentos para financiar sua expansão.

A justificativa dos participantes da 1.ª Conferência Nacional de Educação é que o ensino superior seria um “bem público”, motivo pelo qual a oferta de vagas por universidades privadas e confessionais teria de ser feita por meio do regime de concessão, como ocorre nas áreas de energia, petróleo e telecomunicações. Para os 3 mil sindicalistas e representantes de movimentos sociais e ONGs que aprovaram essa proposta absurda, se cabe ao governo federal “articular” o sistema educacional, a União deveria “normatizar, controlar e fiscalizar” as instituições de ensino superior do País, por meio de uma agência reguladora, além de estabelecer parâmetros para currículos, projetos pedagógicos e programas de pesquisa para todas elas.

Essa tese colide frontalmente com a Constituição de 88, que é clara e objetiva em matéria de ensino. Ela prevê a livre iniciativa no setor educacional, concede autonomia didática, científica, administrativa e patrimonial às universidades e assegura aos Estados e municípios ampla liberdade para organizar suas respectivas redes escolares.

Como ocorreu nas Conferências Nacionais de Comunicação e Direitos Humanos, as entidades representadas na 1.ª Conferência Nacional de Educação ? das quais pelo menos 40 atuam em áreas estranhas aos meios acadêmicos ? em momento algum esconderam sua aversão ao livre jogo de mercado. Segundo elas, por visar ao lucro, as universidades particulares, ao contrário das universidades públicas, não se preocupariam com a qualidade dos serviços que prestam.

A afirmação é falaciosa, uma vez que há instituições privadas muito bem classificadas no ranking do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), assim como existem instituições federais que certamente não seriam autorizadas a funcionar, caso o Ministério da Educação fosse mais rigoroso na aplicação das regras por ele mesmo estabelecidas. É esse o caso das Universidades Federais do Vale do Jequitinhonha, que foi inaugurada por Lula sem ter corpo docente, e do ABC, que funciona em meio a um canteiro de obras atrasadas e abriu seu primeiro processo seletivo sem dispor sequer de laboratórios e de bibliotecas.

Além de investir contra a iniciativa privada, as propostas aprovadas na 1.ª Conferência Nacional de Educação esvaziam as competências das Secretarias Municipais e Estaduais de Educação, atribuindo-lhes o papel de meros fóruns consultivos. E, em nome da “democratização” do ensino, defendem a inclusão de integrantes da “sociedade civil organizada” nos órgãos educacionais. Com isso, os Conselhos Nacional e Estaduais de Educação deixariam de existir e sindicalistas vinculados à Central Única dos Trabalhadores, militantes de agremiações partidárias e representantes de ONGs sustentadas por dinheiro governamental poderiam interferir na formulação, implementação e execução da política do setor, colocando os interesses corporativos, políticos e ideológicos à frente do interesse público.

Tão ou mais espantoso do que o ranço ideológico das propostas da 1.ª Conferência Nacional de Educação foi a reação das autoridades educacionais. Elas se comprometeram a incluí-las no Plano Nacional da Educação ? o projeto do MEC que define as principais políticas educacionais dos próximos dez anos e que em breve será enviado ao Congresso. Nos países desenvolvidos, o poder público estimula o aumento dos investimentos privados no ensino superior. O MEC, que na gestão do presidente Lula não conseguiu diminuir as taxas de evasão e repetência, faz o contrário.

Educação – Carta de Demerval Saviani

Educação

“A mídia, de modo geral, incluída a Folha [de S.Paulo], comunga com empresários e políticos o discurso, mais ou menos unânime, de que a educação, na dita “sociedade do conhecimento”, em que nos encontramos atualmente, é a coisa mais importante, devendo ser, portanto, a prioridade número 1 dos governos e da sociedade como um todo.

No entanto, assim como os governos relutam em traduzir a referida prioridade em mais investimentos, a mídia também se nega a traduzi-la no noticiário referente às iniciativas educacionais. A semana que passou foi palco de um dos principais acontecimentos da educação brasileira: a Conferência Nacional de Educação (Conae), aberta em Brasília na noite de 28 de março, e encerrada no dia 1º de abril.

Essa conferência tratou de dois temas fundamentais: a organização do Sistema Nacional de Educação e a elaboração do Plano Nacional de Educação, que deverá substituir o atual. Dos resultados da Conae deverão sair projetos de lei a serem encaminhados ao Congresso Nacional para discussão e aprovação.

Apesar da grande importância desse acontecimento, a mídia falada e escrita nada publicou a respeito. Acompanhei como assinante a Folha para ver o que seria publicado sobre o assunto. A Conae se encerrou e nada encontrei. Como explicar essa omissão da mídia diante de algo que ela mesma proclama como de transcendental importância? Seria tal proclamação apenas uma máscara a disfarçar o desinteresse de nossas elites dominantes e dirigentes no que se refere a uma educação que efetivamente venha a propiciar a toda a população brasileira uma visão clara e consistente da situação em que vive?”

DERMEVAL SAVIANI, professor emérito da Unicamp (Campinas, SP)

Publicada em 5 abr. 2010 na Folha de S.Paulo.