Bastante ou Bastantes?

Ressuscitando meus posts sobre temas polêmicos da Língua Portuguesa 🙂

Hoje vi uma criança paranaense falando “bastantes coisas” e fiquei curiosa para entender a regra e se esse uso estava adequado à norma. Não que atender à norma, nesse caso, fosse minha expectativa. Na verdade, a frase dele me fez ter vontade de rever a regra.

Então, achei duas fontes, que vou postar abaixo. Em suma, as fontes dizem que “bastante” pode assumir diferentes funções sintáticas e é isso que determinará a concordância ou não.

  • Como advérbio de intensidade (ligado a verbo, advérbio ou adjetivo) . Assume o sentido de “muito” – Invariável

Exemplo: Os corredores estavam bastante cansados

  • Como substantivo. Assume o sentido de “o suficiente”. Invariável

 Exemplo: “Os animais já comeram o bastante.”

  • Como adjetivo. Seguido de substantivo. Assume o sentido de “suficiente”. Variável

Exemplo: “Há bastantes quadros na parede”

  • Como pronome indefinido. Expressa qualidades ou quantidades indefinidas. Também aparece antes de substantivos, com os quais fará concordância. Esse é o uso menos comum.

Exemplos: 

“Bastantes bancos aumentaram as taxas administrativas”,

“Ela tem bastantes amigos” 

“Vimos bastantes produtos no mercado”

“Eu aprendi bastantes coisas”, o caso que me fez escrever o post! Ou seja, o pequeno paranaense arrasou!

Uma dica para empregar corretamente as palavras bastante/bastantes é tentar substituir esses termos pela palavra “muito”. Se a palavra muito flexionar em gênero e número, emprega-se bastantes, se a palavra muito não flexionar, emprega-se a palavra bastante.

Fontes:

http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/bastante-ou-bastantes-como-usar-2

https://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20080228180810AALzLTr

http://g1.globo.com/pr/parana/paranatv-1edicao/videos/t/londrina/v/tecnologia-ajuda-no-ensino-da-temida-matematica/4143447/ 

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Texto interessante sobre a vírgula

Vírgula pode ser uma pausa… ou não.
Não, espere.
Não espere..

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode criar heróis..
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!

Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

Detalhes Adicionais:

SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.

* Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER…
* Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM…

Autoria: Associação Brasileira de Imprensa

Fonte: Não informada

Dúvida de gramática: “Espero que não haja obstáculos à realização das provas, daqui A ou HÁ uma semana”?

A ou HÁ?

“Espero que não haja obstáculos à realização das provas, daqui A ou HÁ uma semana”?
O correto é “…daqui A uma semana”.

a) HÁ (=de verbo HAVER) só poderia ser usado caso se referisse a um
tempo já transcorrido:
“Não nos vemos há dez dias.” (=FAZ dez dias que não nos vemos)
“Há muito tempo, ocorreu aqui uma grande tragédia.” (=FAZ muito tempo)

b) A = quando a ideia for de “tempo futuro”, devemos usar a preposição “a”:
“Espero que não haja obstáculos à realização das provas, daqui a uma semana.”
“Só nos veremos daqui a um mês.”

Decore a “dica”:
Tempo passado = HÁ (=FAZ);
Tempo futuro = A

Observação:
Quando a ideia for de “distância”, também devemos usar a preposição “a”:
“Estamos a dez quilômetros do estádio.”
“O estacionamento fica a poucos metros do aeroporto.”

Fonte: http://colunas.g1.com.br/portugues/

Caetano Veloso, você não sabe de tudo!

Fico impressionada com a postura “elitizada” de Caetano Veloso, que critica veementemente o modo de falar do Lula. E o pior, com argumentos absolutamente ultrapassados, por serem meramente ideológicos.

A linguística avançou e reconhece que não existe uma única forma de se falar português, embora algumas formas tenham mais prestígio social, por serem pertencentes à elite. É o caso dos “sotaques” de São Paulo, do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul… Esta escolha por determinadas variantes não é pelo fato destas serem tecnicamente melhores, mas porque elas são faladas por quem detém o capital econômico do país.

Acho muito estranho Caetano Veloso não saber disso.

Sírio Possenti, um dos maiores linguistas do Brasil, comenta as bobagens que Caetano falou na entrevista. Destaco o exemplo da Língua Francesa, que elucida claramente o que chamamos de evolução da língua oral (sem  juízo de valor), que tem como sua principal característica a busca pela economia e concisão.

Dá-lhe Possenti!

Caetano, os artigos e os nomes

Sírio Possenti
de Campinas (SP)


Afirmação de Caetano é de quem não entendeu nem as aulas
de gramática do ginásio, diz Possenti (foto: Divulgação)

Prometo que esta é a última vez que falo de Caetano Veloso neste espaço. Pelo menos sobre os temas que têm alimentado a coluna.

Recebi uma indicação de endereço no qual poderia assistir a uma entrevista – na verdade, ele leu um texto, parecia um cara depondo numa CPI – que Caetano deu em Portugal. Contou que tinha se metido numa “pequena confusão” – os termos são meus – no Brasil, ao declarar que Lula era analfabeto etc. Em seguida, fez uma declaração que pode ser considerada uma defesa de seu governo (um marqueteiro ainda vai pescar essa pérola, eu acho). Disse que Lula faz um governo épico (sic). E acrescentou – com um riso maroto – que não consegue imaginar alguém sendo eleito presidente em outros países, como França, Portugal e Argentina, se não concordar artigos com nomes (seu sorriso desmentia o que tinha dito, eu acho). Finalizou dizendo que os lingüistas gostam de Lula porque ele fala como os que estudaram pouco.

São as duas afirmações finais que quero comentar – brevemente, prometo.

Eu não sei com quem Caetano conversa, agora que não se reúne mais com os concretistas que falavam de Jakobson. Eu converso bastante com lingüistas, no meu local de trabalho e em eventos aos quais eles comparecem. Declaro que nunca ouvi um lingüista dizer algo parecido com o que Caetano acha que os lingüistas acham. A tese poderia até ser interessante para quem considerasse bom que governantes tivessem um certo tipo de identificação com o “popular” (acontece que, curiosamente – ou não! – o povo prefere quem fale corretamente. Já se disse que povo gosta de luxo).

Muitas vezes, aliás, ouvi colegas dizendo que o presidente passou do ponto ao dizer certas coisas e que no dia tal deu uma escorregada, que a situação era formal etc. Ou seja, são comuns as críticas à linguagem do presidente, sejam devidas a suas posições políticas, sejam devidas a aspectos de sua linguagem. Mas, em geral – como as pessoas sabem do que estão falando, no caso – tais críticas são mais comumente dirigidas a determinadas expressões do que a construções gramaticais específicas – como a comentada por Caetano.

Caetano continua não entendendo o que os lingüistas (as teorias lingüísticas) dizem sobre o caso. Nenhum linguista idolatra Lula porque ele fala como os que não estudaram. O que os lingüistas dizem – e isso os distingue de outros profissionais – é apenas que pessoas que não estudaram também falam uma língua (português, no caso). Que falar de maneira diferente (Os político… Eu disse pro Obama…) não é falar errado. Que uma análise da língua, de sua estrutura, mostra que se trata de variantes etc. Que elas são regidas por regras gramaticais. E que certas variantes são marcadas socialmente etc.

Em suma: que certas formas de falar português (ou inglês) são diferentes, populares e não ERRADAS. Que, portanto, é um equívoco técnico dizer que alguém não sabe (nem) falar. Ou seja: lingüistas podem gostar ou não de Lula e de seu governo (obviamente, não há unanimidade). O que eles dizem ou diriam como lingüistas é apenas que é errado dizer que ele não sabe português. Só isso. O que passa longe de significar que gostam de Lula PORQUE ele fala assim ou assado.

Finalmente, a questão “gramatical” que Caetano mencionou: que ninguém seria eleito em outro país se não concordasse artigo com nome. A afirmação é um escândalo, em termos técnicos. É de quem não entendeu nem as aulas de gramática do ginásio, sempre tão defendidas como o verdadeiro discurso (Caetano fez isso, Ferreira Gullar também faz isso de vez em quando).

Ora, nos dialetos brasileiros em que ocorre uma concordância diferente da aprendida na escola (os políticos, os panetones), é o nome que eventualmente não recebe marca de plural. E é exatamente o artigo que recebe esta marca: o que pode ser VISTO em expressões como OS POLÍTICO, OS PANETONE.

Finalmente, para mostrar que, de fato, Caetano observa precariamente esse tipo de material (as línguas): imagine um candidato a presidente na França (foi ele que mencionou o país!) que fizesse essa concordância tal como Caetano acha que deve ser feita. Ele teria que pronunciar, segundo Caetano (se quisesse dizer “as francesas”), “les françaises” assim: les francézes. Mas, se fizesse isso, seria alvo de chacota, porque, para ser “correto” – é disso que Caetano fala – ele deve dizer le francéz. Ou seja, sem marca de plural no nome. Ele deveria ter dado outro exemplo… Ou dito que o raciocínio poderia ser estendido a outros casos, por analogia. Mas então ele não precisaria ser “corrigido” a cada declaração!

Outro erro de Caetano (a lista parece interminável): as gramáticas dizem que é o artigo que deve concordar com o nome. Acontece que em OS PANETONE – a forma popular – é o artigo que está no plural. Como ele acha que isso deveria ser “ensinado”?

Fonte: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4148721-EI8425,00-Caetano+os+artigos+e+os+nomes.html

Excelente jogo para testar seus conhecimentos sobre a nova ortografia

Encontrei este jogo no site Educar para Crescer, da editora abril e resolvi compartilhar.

Trata-se de um excelente objeto de aprendizagem, com perguntas e feedback muito bem elaborados.

Dá para realmente testar os seus conhecimentos e aprender com os erros e acertos.

http://educarparacrescer.abril.uol.com.br/jogo-das-palavras/

Vale a pena. Recomendadíssimo.

Quando “não” usar a crase

Achei um site com exemplos de quando não usar a crase. Ele também dá algumas dicas de como “testar” o caso para saber se recebe ou não a crase.

Seguem alguns casos que estão explicados no site. Afinal, eles levam ou não a crase?

  • Entregamos à domicílio.
  • Vendas à prazo com planos especiais.
  • 15 sabores à escolher.
  • Prestações à perder de vista.
  • Trajes à rigor.
  • Preços à vista com 10% de desconto.
  • Atendemos de segunda à sexta.
  • Ótima localização, à 10 minutos do metrô.
  • Lindos bordados feitos à mão.
  • Diariamente até às 18:00.
  • Conjuntos infantis à partir de R$ 15,00.

Endereço: http://www.ufv.br/tutoria/portugues/crase.htm

Neste outro site foi criada uma lista com diversas locuções em português, identificando se elas possuem ou não a crase.

Endereço: http://www.ceismael.com.br/oratoria/oratoria014.htm