Editorial da folha sobre consumismo na infância

Nota-se claramente que o tema do editorial não é a propaganda dentro das escolas, mas sim uma defesa às grandes corporações que insistem em se aproveitar das fragilidades das crianças para vender cada vez mais. Por que precisamos “consertar” os malefícios que a propaganda traz à nossa sociedade (se é que é possível mesmo algum tipo de “conserto”)  se simplesmente podemos eliminá-la?
É muito cínico afirmar que basta a criança saber lidar com a propaganda para não ser afetada por ela. Se isso fosse verdade, as empresas não investiriam milhões de dólares nisso.
Para mais informações sobre este tema, sugiro a leitura do post “mercantilização da infância”

EDITORIAL

GRANDES grupos educacionais, caso das redes COC e Dom Bosco, ampliam ações de marketing e utilizam professores como garotos-propaganda de produtos destinados a jovens e crianças. Como mostrou reportagem desta Folha, já houve iniciativas como a distribuição de chocolates, biscoitos e outras guloseimas por docentes em ações cuja marca do patrocinador é associada à da escola.

Embora a publicidade faça parte do mundo da criança e do jovem, há nessas iniciativas um lamentável exagero. Preocupa, ademais, que a distribuição de produtos de alto teor calórico seja feita por aqueles a quem caberia alertar sobre o risco para a saúde do consumo excessivo desses alimentos.

A principal arma contra os exageros na ofensiva publicitária, nesses casos, devem ser o diálogo e a informação. É preciso rejeitar o modismo de que leis draconianas seriam indicadas para resolver esse gênero de problema, pela proibição, pura e simples, da propaganda voltada ao público juvenil ou da venda de certos alimentos a crianças.

Estão em jogo, afinal, dois valores pedagógicos. É necessário, sem dúvida, informar objetivamente crianças e adolescentes sobre os parâmetros de uma alimentação saudável -e formar professores conscientes de que nem toda propaganda é compatível com sua missão de ensinar.

Mas a formação de um indivíduo pressupõe, também, o reconhecimento, pela sociedade, de uma esfera de liberdade de escolha que se amplia conforme a pessoa se distancia da infância. A interdição que se justifica para crianças de sete anos pode ser excessiva no caso de uma outra, três anos mais velha.

A letra fria da lei não contempla todas as nuanças, que variam de indivíduo para indivíduo. Lidar com o assunto é uma tarefa intransferível de pais, professores e diretores. Precisam estar atentos aos exageros na propaganda e na oferta de alimentos em ambiente escolar e estabelecer, eles próprios, os limites que julgarem adequados a cada caso.

Folha de S.Paulo, 11 jul. 2009.

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