Jornalista com falta de informação?

O objetivo da progressão continuada (instituída pelo secretário de educação Paulo Freire no governo de Luisa Erundina na prefeitura de São Paulo entre 1989 e 1992) foi definido pelo jornalista da folha conforme observamos abaixo:

 “No debate, os participantes falarão sobre a progressão continuada nas escolas do Estado. O sistema, implantado nos anos 90 com o objetivo de diminuir as taxas de repetência e a evasão escolar, prevê que os alunos sejam aprovados anualmente e passem por avaliação ao final de cada ciclo (4ª e 8ª série), quando podem ser reprovados, caso não alcancem o nível de conhecimento esperado.”

http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u352796.shtml

Devo entender esta postura do jornalista como desinformação ? Sintetizar uma teoria pedagógica-educacional desta maneira simplória parece-me, no mínimo, irresponsabilidade.

É preciso diferenciar o que ocorreu com a proposta de educação por ciclos ao longo dos anos e o seu objetivo inicial. Quando implantado pela prefeitura de São Paulo, estava embasado no fato de que aprovação e reprovação não era o principal objetivo da escola, mas sim, valorizar o processo de aprendizagem do aluno. Ninguém aprende da mesma forma e ao mesmo tempo. As pessoas são diferentes. Assim sendo, a educação se dá por ciclo de aprendizagem e não mais por séries, observando o acúmulo de conhecimento e o desenvolvimento de competências e uma avaliação no final de cada ciclo. O aluno teria um acompanhamento mais individualizado, sendo respeitadas suas características psicológicas e seu ritmo de aprendizagem.

Em suma : além de mais justa e embasada pedagogicamente, a progressão continuada visava evitar a reprovação burra e inconsequente adotada no ensino tradicional, fruto de falhas organizacionais e estruturais do ensino. Quem pagava o pato era o aluno, que , desmotivado, abandonava a escola.

Os sites abaixo discutem a questão de como a progressão continuada foi implantada no Brasil e fazem uma reflexão acerca des suas características

http://www.crpsp.org.br/a_acerv/jornal_crp/135/frames/fr_politicas_publicas.htm

http://www.terezinhamachado.com/artigos.php?id=6

Sinceramente, estou de saco cheio de ouvir gente falar do que não sabe. Este jornalista não pesquisou o mínimo ao falar do assunto, ficando sempre no “senso comum”.

É preciso tomar cuidado com o que se fala.

Está na hora dos jornalistas e a imprensa brasileira entenderem o quanto eles são responsáveis pela formação da opinião pública e serem mais profissionais quando se propuserem a falar sobre algum tema.

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