Ações afirmativas e a grande mídia

Posted Junho 7, 2009 by Julci
Categories: Cidadania

A matéria “A grande mídia contra as ações afirmativas” escrita por Fernando Conceição e disponível no Observatório da Imprensa é um grande alerta para todos aqueles que se preocupam com a democracia e a liberdade de expressão.

Independente de sermos contra ou a favor do Estatuto de Igualdade Racial e das ações afirmativas (que não se resumem as cotas), precisamos garantir o direito ao debate destas questões. A Rede Globo, Folha de São Paulo e Editora Abril não estão respeitando a premissa de um Estado Democrático.

O que posso falar sobre isso ? Para variar, são sempre as mesmas figurinhas carimbadas que agem de forma autoritária e manipuladora. Até quando seremos reféns desta mídia corrompida?

Só para se ter uma noção do quanto esta postura é descarada, o Diretor de Jornalismo da rede globo, Ali Kamel, escreveu um livro chamado “não somos racistas“, em 2006, defendendo que não existe racismo no Brasil. Uma resenha na revista veja teceu elogios ao livro de Kamel. Será que eles pensam igual??

Vale a pena ler e pensar…

Disponível em: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=540JDB003

Diretrizes curriculares e pedagogia

Posted Junho 4, 2009 by Julci
Categories: Currículo

Qualidade de ensino e os equívocos das diretrizes curriculares da pedagogia

SONIA PENIN

A qualidade de ensino no país é resultado de uma complexa equação histórico-político-econômica e legal que repercute na formação de professores, aspecto crucial dessa equação. Analisar o assunto requer rever a história e o cenário atual e evitar generalizações.

Na história da formação de professores no Brasil, há uma longa distância entre os cursos destinados ao ensino primário e aqueles voltados para o secundário. Os primeiros (Curso Normal) datam da primeira metade do século 19; os últimos, de 1931, com a criação das universidades, que tinham no seu âmago a ideia de que à formação de bacharéis em ciências/artes/humanidades, necessária ao desenvolvimento do país, deveria se acoplar um ano de Licenciatura, formando professores para o ensino secundário (modelo 3+1).

A Pedagogia insere-se nessa história. Regulamentada em 1939, formava precipuamente bacharel em Educação e, adicionalmente, professor das disciplinas pedagógicas para o Curso Normal. O bacharel exercia funções na administração, planejamento de currículos, orientação, avaliação do desempenho de alunos/docentes, pesquisa e desenvolvimento tecnológico da educação e, por concurso, assumia cargos de inspetor, diretor de escola, delegado de ensino.

Em 1968, a Lei da Reforma do Ensino Superior reforçou o caráter precípuo de bacharelado do curso de Pedagogia, organizando o currículo por habilitações, atendendo à crescente ampliação dos sistemas de ensino pelo maior acesso das classes trabalhadoras à escola e às exigências da industrialização. Nesse movimento, a escola torna-se culturalmente mais diversa, requerendo mais rigor na formação de professores e pedagogos.

Nos anos 70-80 os movimentos sociais se fortalecem e os de educadores revêem tanto a formação de professores quanto a de pedagogos. O modelo 3+1 é amplamente criticado e fortalece-se a ideia da docência como articuladora do curso de Pedagogia. São criados cursos experimentais exclusivamente de licenciatura, como Matemática e Física na USP.

Em 1986, um parecer do Conselho Federal de Educação (nº 161) permitiu pela primeira vez que pedagogos lecionassem no ensino primário. À época, todavia, a norma não foi extensamente utilizada devido ao fato de a maioria dos alunos de Pedagogia ser proveniente do Normal, muitos com especialização na pré-escola.

Em 1996, a vigente LDB confirma Pedagogia como curso de formação dos profissionais da educação (administração, supervisão etc.), com possibilidade de ser oferecida em nível de pós-graduação. A mudança radical proposta nessa lei é a definição de que a formação de professores para a docência na educação infantil e séries iniciais do ensino fundamental seja realizada em nível superior. O Normal de nível médio é apenas admitido.

O curso Normal Superior e, sobretudo, o seu locus, os Institutos Superiores de Educação, alvo de críticas, foram implantados pouco nas instituições públicas e mais nas particulares, nesse período atendendo à maioria dos estudantes. O curso Normal de nível médio foi extinto em vários estados, criando um paradoxo, uma vez que o preparo para o magistério dos anos iniciais, realizado com bons e até excelentes níveis por alguns modelos adotados na modalidade Normal (como os Cefams, em São Paulo), não tem se mantido na maioria dos cursos que os substituíram. Na Pedagogia há uma tensão entre o domínio do ofício de ensinar crianças de 0 a 10 anos e o bacharelado.

Por outro lado, há pouca clareza ao fato de que licenciatura para qualquer nível de ensino deixou de ser uma simples licença para ensinar, obtida em um ano adicional de estudos, para ser uma profissão. Uma pergunta se destaca: quanto uma profissão deve ou pode incluir do domínio de diferentes ofícios? A esta, outras questões se juntam em face da complexa contemporaneidade e da diversificação do alunado.

O cenário descrito impõe urgente revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia de 2005. Não se pode subestimar a inversão desastrosa realizada sobre a história da área. Colocar o pedagogo como precipuamente e ao mesmo tempo professor de toda a educação infantil e séries iniciais do ensino fundamental, com atuação adicional em funções também numerosas relativas ao bacharelado, compromete a essência epistemológica da pedagogia. Igualmente, docência é uma profissão e demanda formação plena, mesmo articulada ao bacharelado. Necessária, a revisão da formação não é suficiente à melhoria da qualidade de ensino no país. Mudanças na atualidade e nas localidades tornaram mais complexa a docência, requerendo valorização da profissão e busca por talentos. Valorização pressupõe remuneração justa e boas condições de trabalho, assim como políticas acolhedoras e formação continuada. Remuneração justa prevê comparações cabíveis entre profissões de semelhante exigência no país. Difícil aceitar que nossa sociedade permita que se premie de forma tão desigual as funções do Judiciário, Legislativo e algumas do Executivo, onde, em início de carreira, um profissional recebe de oito a nove vezes mais que um docente da educação básica.

Além da formação e valorização profissional, outros aspectos compõem a equação qualidade de ensino, realçando-se tempo de estudo do aluno, aulas dadas e recuperação. Assim, não é possível imputar generalizadamente aos profissionais ou às instituições formadoras o baixo nível da qualidade de ensino no país. Com exceção do alunado, não há inocentes; governos e sociedade estão em questão e é do futuro da nação o que aqui se trata.

Sonia Penin é diretora da Faculdade de Educação da USP.

Jornal da USP, 4 maio 2009.

Vitor Paro falando sobre a educação – 22/12/08

Posted Maio 30, 2009 by Julci
Categories: Educação

Este vídeo apresenta a participação do professor da USP Vitor Henrique Paro respondendo a perguntas dos telespectadores.

Simplesmente foi uma das melhores entrevistas que eu pude acompanhar sobre o tema.

Segue algumas frases que valem a pena ser destacadas (transcritas livremente)

A educação não tem o mesmo status das outras ciências na sociedade. Quando se fala de medicina chama-se um médico para comentar o assunto, não o doente para explicar a moléstia. Quando se fala de educação, chama-se ou o jornalista, ou o pai do aluno, ou o professor, enfim, nem sempre são as pessoas que estão ao par do que acontece”

Educação não é apenas passar conhecimento. Conhecimento se passa em todo lugar.  O que precisa ser feito na escola é construir personalidades, passar conhecimentos como cultura. Cultura é conhecimento, mas também é feita de valores, crenças, filosofia, ciências, arte, utilização do corpo. Por que não aprendemos a paz na escola?”

O conceito de educação é apropriação da cultura, ou seja, o que o homem se propõe a fazer e realiza (tudo o que o homem cria). Conhecimento se aprende em qualquer outro meio (livro, internet).

Está demonstrado cientificamente pela ONU e pela UNESCO que assim como a aspirina não cura câncer no estômago, 40 alunos por sala não é possível.

Dizer que a escola é maravilhosa e o aluno é que não comparece é a mesma coisa que dizer que um cirurgia foi um sucesso, só que o paciente morreu” Os professores se espantam com o desinteresse da criança. Ora, se ela tivesse interesse por si própria, ela não precisaria do professor, que ganha para isso. Você precisaria ter sido formado para criar interesse.”

Precisamos saber acima de tudo o que queremos fazer. Eu quero que as pessoas saibam a ler e escrever, mesmo sabendo que 90% das pessoas que sabem ler e escrever não leem e não escrevem? A escola não ensinou a elas o prazer de ler e escrever.”

Design: não são os olhos, é o cérebro que vê – Marcos Nähr

Posted Maio 25, 2009 by Julci
Categories: Design Instrucional

Mesmo em uma mídia composta basicamente por textos, a linguagem gráfica se faz necessária. É ela a responsável pela perfeita comunicação entre o conteúdo da mensagem e seu público.

Por Marcos Nähr

As várias etapas da construção de uma imagem visual já vem sendo estudadas há algum tempo por psicólogos e sua opinião é unânime: a visão não é uma percepção que ocorre por inércia, uma recepção de objetos e formas exteriores que se impõe em bloco a células visuais passivas.

O sistema que capta os fótons é necessário, sem dúvida, mas ele é insuficiente para induzir uma imagem das coisas que nos cercam. Para completar o processo é necessário uma atividade cerebral que transforme as informações implícitas em informações explícitas, um processo que converta descargas elétricas em imagens coerentes.

Os objetos e formas não chegam até nós como tais, são reconhecidos e reconstruídos por nosso cérebro, dotado de capacidade de análise, de síntese e de hierarquização. Não é o olho, mas sim o cérebro que vê.

Mas como o cérebro constrói uma imagem, a imagem daquilo que acredita estar ali, mas não está realmente?

Neste processo estão aparentemente envolvidas duas etapas. De um lado uma interpretação simbólica, que vai evoluindo em níveis cada vez mais complexos, de outro uma comparação ao que se entende como realidade.

A imagem global é construída em etapas sucessivas em direção a um nível cada vez mais alto de integração que proporciona uma imagem visual completa.

Uma sensação, uma simbolização, uma comparação, uma percepção e novas simbolizações em escala cada vez mais complexa. Estas são as principais etapas da atividade cerebral envolvida na criação da imagem. Nesta integração efetuada em bloco, conta mais o conjunto do que os detalhes que o constróem.

A nossa visão implica funções de análise, de reconhecimento e de reintegração num quadro familiar.

Esta comunicação sinestésica e subliminar que chega até nossos olhos através de cores, tipos, formas gráficas e estilos pode ser chamada de design invisível.

Esta linguagem explicitamente gráfica do design invisível pode ser considerada um dos objetos principais de construção e transmissão de uma mensagem.

É por isto que mesmo em uma mídia composta basicamente por textos, a linguagem gráfica se faz necessária. É ela que será responsável pela perfeita comunicação entre o conteúdo da mensagem e seu público.

Marcos Nähr (Marcos_Nahr@Dell.com) é formado em Design Gráfico, consultor de conteúdo para o Global eCommerce da Dell Computadores e professor do Comunicação Digital da Universidade do Vale do Rio dos Sinos.

Disponível em:

http://webinsider.uol.com.br/index.php/2004/08/25/design-nao-sao-os-olhos-e-o-cerebro-que-ve/

Repositórios de Objetos de Aprendizagem disponíveis na internet

Posted Maio 21, 2009 by Julci
Categories: Design Instrucional, Educação a distância

Repositórios Nacionais

  • RIVED – Rede Interativa Virtual de Educação

http://www.rived.mec.gov.br/

  • Banco Internacional de Objetos Educacionais

http://objetoseducacionais2.mec.gov.br

  • Domínio Público

http://www.dominiopublico.gov.br

  • CESTA – Coletânea de Entidades de Suporte ao Uso da Tecnologia na Aprendizagem

http://www.cinted.ufrgs.br/CESTA/cestadescr.html

  • Universidade Federal do Rio Grande do Sul – NUTED

http://www.nuted.edu.ufrgs.br/objetos/

  • Portal do Professor

http://www.portaldoprofessor.mec.gov.br

  • Laboratório Virtual da USP (exclusivo para as áreas de Química e Física)

http://www.labvirt.fe.usp.br/

  • KlickEducação  (não é público, mas permite acesso gratuito em algumas áreas)

http://www.klickeducacao.com.br

  • Biblioteca Virtual do Estudante de Língua Portuguesa

http://www.bibvirt.futuro.usp.br/index.php

  • Micro & Gene – USP

http://www.ib.usp.br/microgene/index.php?pagina=atividades

  • UNIFRA-  Centro Universitário Franciscano

http://sites.unifra.br/Default.aspx?alias=sites.unifra.br/rived

  • Soft Ciências

http://nautilus.fis.uc.pt/mn/p_index.html

  • Unijuí

http://www.projetos.unijui.edu.br/matematica/fabrica_virtual/

  • Educa Rede:

http://www.educarede.org.br/educa/index.cfm?pg=ensinar_e_aprender.turbine_principal

  • Copyleft – Pearson:

http://www.copyleftpearson.com.br/busca.aspx

Repositórios Internacionais

  • Stanford OpenCourseWere

http://stanfordocw.org

  • Merlot – Online Learning Material

http://www.merlot.org/merlot/index.htm

  • Science Netlinks

http://www.sciencenetlinks.com/resources_list.cfm?Grade=9-12&BenchmarkID=5

  • Intute

http://www.intute.ac.uk/

  • Wisc Online

http://www.wisc-online.com/

  • Careo – Campus Alberta Repository of Educational Objects

http://www.ucalgary.ca/commons/careo/

  • Profetic – Intégration des TIC et nouvelle pédagogie universitaire

http://www.profetic.org/spip.php?rubrique19

Pesquisa realizada em 20/05/2009

O livro didático sob o risco da alienação

Posted Maio 18, 2009 by Julci
Categories: Currículo

02/06/2008 15:54

A elaboração de conteúdos de livros didáticos encontra-se na iminência de cair sob o controle de empresas multinacionais, cujos interesses não coincidem necessariamente com os interesses do contexto nacional do ensino e da aprendizagem das futuras gerações de brasileiros. Atualmente, das seis maiores empresas que dominam o mercado de livros didáticos no País pelo menos quatro são estrangeiras. E, se se consumar, como se anuncia na imprensa, a venda das editoras Ática e Scipione — atualmente de propriedade do grupo Abril em sociedade com multinacionais — para um grupo espanhol, a responsabilidade pela elaboração dos conteúdos irá transferir-se, na sua quase totalidade, para mãos estrangeiras.

Não se pretende com a advertência despertar a xenofobia, que não é e nunca foi componente da cultura brasileira. Ao contrário, esta se distingue como paradigma de tolerância e de respeito à diversidade. Mas não se pode deixar de registrar que a ausência de uma política nacional do livro didático — que o governo Lula e o Partido dos Trabalhadores estão a dever ao País — mantém desguarnecido um flanco que país algum, que seja cioso de sua soberania e de seus interesse nacionais, mantém aberto, ou mais propriamente escancarado, como ocorre no caso brasileiro.

Na aparência, pelo menos, não nos encontramos em situação de já não reconhecer a bandeira nacional. Ainda não vivenciamos o desconforto de presenciar em relação ao Brasil a troca de farpas diplomáticas entre o rei Juan Carlos, da Espanha, e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a propósito de visões divergentes — a do dominador e a do dominado —, sobre a herança colonial. Mas, em princípio, a exemplo do que já ocorreu em outros países, nada impede que, num contexto em que os interesses do mercado desregulado passem a prevalecer sobre as injunções do contexto cultural nacional, o controle sobre o conteúdo do livro didático venha a ser exercido de fora para dentro.

Lembre-se a propósito da epopéia, de má memória, do “Imperial Curriculum” (curriculum imperial), expressão utilizada na literatura acadêmica para caracterizar a empreitada de deformação e malformação da percepção e visão de mundo dos povos colonizados, pelos colonizadores britânicos, mediante o controle sobre a literatura didática posta à disposição dos alunos nos países subjugados. Por meio da evangelização, da colonização ou da alfabetização em massa, os modelos nacionais têm sido exportados e difundidos no exterior, na linha de menor resistência — e esse processo tem-se acentuado ainda mais com a globalização. Por isso, de uns dez anos para cá, as questões relativas à utilização, à tradução, à adaptação de livros didáticos estrangeiros passaram a se constituir em objeto de numerosos estudos, na Grécia, Itália, Argentina, Chile, México, Canadá e em muitos outros países.

Compreende-se o interesse das multinacionais pelo mercado brasileiro de livros didáticos: o programa do governo federal de compras de livros didáticos é o maior do mundo. Maior filão do mercado editorial, segundo informações do MEC, 75% das vendas de livros didáticos ao governo são disputadas por apenas quatro empresas (Moderna, FTD, Ática e Saraiva), que dividiram entre si três quartos, ou R$ 559,8 milhões dos R$ 746,4 milhões gastos pelo Ministério da Educação com material didático fornecido aos municípios em 2008. Esse valor é 43% superior aos R$ 523 milhões despendidos em 2007, o que sugere que, além de o País contar com o maior programa de compras de livros didáticos, esse segmento do mercado editorial brasileiro é também o que mais cresce no mundo.

Para abocanhar partes crescentes desse bolo, as editoras em geral não medem esforços, éticos ou condenáveis, para influenciar os responsáveis, direta e indiretamente, pelas compras, da mesma forma como procedem laboratórios farmacêuticos junto à classe médica. Para contê-las em seus ímpetos mercantis, o MEC elaborou recentemente uma cartilha de boas maneiras, para uso das editoras junto aos professores e às escolas. Contudo, a iniciativa, que alcançou eficácia relativa, não chegou a debelar o mal. Tanto assim que um dos motivos admitidos reservadamente por um diretor da Abril Educação, para sair do setor, é que a empresa não se encontra à altura da agressividade da concorrência, com a distribuição de automóveis, viagens internacionais e outros “mimos” para professores, diretores de escolas e autoridades da área de educação. E se o leitor duvidar de tal agressividade, sugiro que abra o site da Fundación Santillana, por exemplo, e constate a proximidade que a empresa espanhola mantém historicamente de ministros brasileiros da Educação, chefes de departamentos do MEC, secretários estaduais da educação e secretários municipais, caracterizando um dos lobbies mais bem incrustados no aparelho de estado brasileiro, do mesmo modo como procede em todo o mundo ibero-americano.

É dessa forma que se criam redes de relações sociais entre políticos, funcionários públicos e empresas (e seus tentáculos, como fundações, ONGs, etc.) que influenciam e conformam o pensamento político sobre a educação. Nesse tipo de rede, quase nunca é clara a distinção entre o que é assessoria, consultoria, apoio, patrocínio ou atividade de lobby. É sob esse estado ambíguo que o ex-ministro da Educação do governo FHC, Paulo Renato Souza, ao deixar a sua cadeira no Ministério, tomou imediatamente assento na Santillana, como “consultor”, assim como Mônica Messenberg, braço direito de Paulo Renato no MEC na condição de executiva responsável pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, passou a ocupar alto cargo executivo na mesma empresa, como diretora de assuntos institucionais (leia-se: lobby junto a governos, secretarias estaduais e municipais de Educação) da editora Moderna (Santillana).

O interesse pelo livro didático cresce à medida em que esse mercado transpõe fronteiras sob o impulso da acumulação do capital a partir dos países centrais e a leniência de países periféricos, ao mesmo tempo em que, no campo ideológico, acirra-se a disputa conceitual entre educação como mercadoria e educação como formação integral sob a responsabilidade do Estado. Nesse contexto, é de destacar que os livros escolares assumem múltiplas funções associados aos interesse estratégicos da soberania nacional. De acordo com Alain Choppin, especialista na história dos livros didáticos, a pesquisa mostra que os livros didáticos exercem quatro funções essenciais. São elas:

1. Função referencial, também chamada de curricular ou programática, que se constitui no suporte dos conteúdos educativos, depositário dos conhecimentos, técnicas ou habilidades que um grupo social assume como necessários para transmitir às novas gerações.

2. Função instrumental: o livro didático põe em prática métodos de aprendizagem, propõe exercícios ou atividades que visam a facilitar a memorização dos conhecimentos, favorecer a aquisição de competências, a apropriação de habilidades, de métodos de análise ou de resolução de problemas, etc.

3. Função ideológica e cultural: é a função mais antiga e estratégica. A partir do século XIX, com a constituição dos estados nacionais, o livro didático se afirmou como um dos vetores essenciais da língua, da cultura e dos valores das classes dirigentes. Instrumento privilegiado de construção de identidade, geralmente é reconhecido, assim como a moeda e a bandeira, como um símbolo da soberania nacional e, nesse sentido, assume um importante papel político. Essa função, que tende a aculturar – e, em certos casos, a doutrinar – as jovens gerações, pode se exercer de maneira explícita, sistemática e ostensiva, ou, ainda, de maneira dissimulada, sub-reptícia, implícita, mas não menos eficaz.

4. Função documental: o livro didático pode fornecer um conjunto de documentos, cuja observação ou confrontação podem vir a desenvolver o espírito crítico do aluno, no exercício de construção de sua percepção e visão de mundo, que variam de acordo com o contexto nacional e local em que ele se encontra.

A importância de tais funções, no contexto da autonomia nacional, sobressai ainda mais, ao se constatar a existência de iniciativas do mercado que visam a subvertê-las. No que se constitui na mais recente ameaça ao processo independente e democrático de seleção e escolha do livro didático, sob a coordenação do MEC, surgem grupos educacionais — empresas que exploram a educação privada e que mais recentemente decidiram por fazer incursões mercantis também no setor público — para a venda de material didático diretamente às prefeituras, secretários municipais da educação, funcionários públicos, diretores de escola e professores. Trata-se de um conluio entre autoridades estaduais e municipais, de um lado, e empresas de material escolar, de outro, que tem por objetivo neutralizar e reverter na prática as diretrizes e normas sobre o livro didático estabelecidas pelo MEC, trazendo de volta o tráfico de influência, a ausência de controle de qualidade e eventual corrupção no processo de compra.

Como expediente para escapar ao controle do MEC, autoridades municipais e estaduais entendem-se diretamente na negociação de “apostilas” e “material pedagógico” – eufemismos utilizados para dispensar o governo federal de prover às escolas os livros didáticos avaliados pelos especialistas. A compra desse material por parte das prefeituras caracteriza um dispêndio desnecessário, já que o MEC distribui os livros gratuitamente. O argumento utilizado pelos prefeitos para justificar a realização do negócio diretamente junto às editoras é que o material didático adquirido representa um “diferencial de qualidade”. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o negócio do “diferencial de qualidade” entre administrações municipais e grandes editoras tem-se revelado como um dos mais rentáveis e auspiciosos, apresentando resultados financeiros no balanço das empresas, que, a cada ano, chegam a 50% acima dos do ano anterior. Assim, entra pela porta dos fundos o que o MEC nos últimos anos havia conseguido expelir pela porta da frente.

É sabido que a imagem da sociedade apresentada pelos livros didáticos corresponde a uma reconstrução que obedece a motivações diversas, segundo época e local. Os autores e editoras de livros didáticos não são simples espectadores de seu tempo: eles reivindicam um outro status, o de agente. O livro didático não é um simples espelho: ele modifica a realidade no processo de formação das novas gerações, provendo dela eventualmente uma imagem deformada, esquematizada, maniqueísta: as ações contrárias à moral são punidas exemplarmente; e os conflitos sociais, os atos delituosos ou a violência cotidiana são silenciados.

Não é suficiente, por isso, deter-se nas questões que se referem aos autores e ao que eles escrevem; é necessário também prestar atenção àquilo que eles silenciam, pois se o livro didático é um espelho, pode ser também uma tela, observa Alain Choppin.

Sem ser especialista em políticas educacionais, ocorre-me uma sugestão, no plano do bom senso, que certamente iria contribuir para dirimir o qüiproquó recorrente entre independência na elaboração dos conteúdos e interesses do mercado. A sugestão não é original, pois já foi adotada pela França. As instituições públicas de ensino superior, em parceria com as entidades do professorado e autores de livros didáticos poderiam assumir a responsabilidade pela elaboração dos conteúdos que, uma vez produzidos, seriam colocados pelo governo em licitação pública para impressão, ou seja, para confecção física do livro. Dessa forma, a participação do mercado nos programas do livro didático seria restrita à sua fase industrial, propriamente dita, deixando-se para o Estado a responsabilidade que lhe cabe na defesa e afirmação da cultura como componente da soberania nacional.

Como afirmei neste espaço anteriormente, tudo isso são elementos suficientes para justificar a necessidade de se promover um debate nacional sobre o papel do Estado na definição de uma política nacional do livro didático.

Rui Falcão é deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores. Foi deputado federal, presidente do PT e secretário de governo na gestão Marta Suplicy.

Disponível no site de José Dirceu

CNE sugere mudanças no ensino médio

Posted Maio 18, 2009 by Julci
Categories: Currículo

Por Elisa Marconi e Francisco Bicudo

As disciplinas não deverão desaparecer da grade horária. Mas a proposta é que a Teoria da Evolução, por exemplo, possa ser discutida na aula de Biologia, com destaque para a perspectiva da seleção natural; na de História, para que se possa compreender quem foi o naturalista inglês Charles Darwin e em que contexto viveu e formulou suas ideias; na de Filosofia, onde o debate entre o pensamento racionalista científico e os dogmas religiosos sustentados pela fé pode ser aprofundado; e até mesmo na de Português, se pensarmos em um trabalho de interpretação de textos do livro “A origem das espécies”. O desejo explícito e manifesto dos especialistas é combater os conteúdos estanques, integrar conhecimentos e incentivar a interdisciplinaridade, certamente um dos alicerces principais do projeto de reforma do ensino médio que está sendo discutido pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e que deverá ser em breve encaminhado ao Ministério da Educação (MEC); se tudo der certo, as novidades deverão ser colocadas em prática já em 2010.

“O ensino médio está obsoleto, ultrapassado, é ainda aquele que foi formatado durante a era industrial. O aluno deixa esse nível de ensino totalmente desinteressado. É preciso virar o sistema de cabeça para baixo. O jovem quer uma escola que caiba na vida dele, que faça diferença e tenha sentidos e significados”, avalia Mozart Neves Ramos, membro do CNE e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em entrevista exclusiva ao site do SINPRO-SP. Essa analise é compartilhada por Lino de Macedo, professor da Universidade de São Paulo, que em entrevista publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo de 10 de maio afirmou que “sempre foi e está cada vez mais difícil ser adolescente, pois dele são exigidas coisas de adulto, para as quais ele não tem interesse nem repertório. Ele está preocupado com sua inclusão em grupos, sua iniciação sexual, seus sonhos. Então, os adolescentes têm muitas decepções com essa escola que não olha para ele, que não é feita para ele, que não é pensada com ele”.

O próprio documento que tem servido como base para as discussões travadas pelo Conselho reconhece que o Brasil já foi capaz de “massificar o acesso, mas não garantiu democraticamente a permanência e, principalmente, um currículo capaz de promover uma aprendizagem que faça sentido para os jovens adolescentes”. O documento destaca ainda que “o acesso ao ensino médio é profundamente desigual entre grupos da população: apenas 24,9% de jovens na faixa etária de 15 a 17 anos, dos 20% mais pobres da população, estudam no ensino médio, enquanto temos 76,3% de jovens estudando dos 20% mais ricos da população”. Segundo Ramos, que é também presidente do movimento Todos pela Educação, “é preciso quebrar paradigmas e romper esse círculo vicioso que afasta o jovem da escola”.

O primeiro passo para romper esse cenário de marasmo identificado pelos especialistas diz respeito à criação de quatro áreas temáticas – línguas, matemática, humanidades e ciências exatas e biológicas, que deverão ainda funcionar de forma articulada e harmônica. Ramos avalia que, atualmente, os professores das diferentes disciplinas dão seus conteúdos sem conversar entre eles, sem um saber o que o outro está trabalhando em sala de aula, sem estabelecer relações. “Queremos fortalecer a interdisciplinaridade, que é muito falada, mas pouco exercitada”, reforça. Segundo ele, as atuais doze disciplinas (Português, Matemática, Biologia, Física, Química, Geografia, História, Filosofia, Sociologia, Artes, Língua Estrangeira e Educação Física) não irão desaparecer, mas terão obrigatoriamente de trabalhar a partir de pontos de encontro e de projetos comuns. “Essa nova organização curricular pressupõe uma perspectiva de articulação interdisciplinar, voltada para o desenvolvimento de conhecimentos – saberes, competências, valores e práticas”, reforça o documento do CNE.

Colocar essa ideia em prática, admitem os conselheiros, não será tarefa das mais fáceis e significará investir com convicção em uma verdadeira revolução de mentalidades, que deverá atingir inclusive o ensino superior, onde os professores continuam sendo formados para trabalhar individualmente e de forma compartimentada, nos limites estritos de cada uma das disciplinas. Como então garantir que um educador da área de Química possa transitar com tranquilidade pelos conceitos da Física e da Biologia? “Certamente terá de se adaptar a essa nova realidade.Também sou professor e sei que somos muitas vezes avessos a mudanças. Mas vamos ter de incentivar de fato um espírito de universidade, de diversidade, e mudar principalmente o primeiro ano dos cursos superiores, para que estejam mais próximos e sintonizados com o último ano do ensino médio e a perspectiva da interdisciplinaridade”, diz Ramos.

As condições de trabalho também terão de ser enfrentadas. Não é possível imaginar que um sistema com essas novas características e demandas poderá funcionar a contento e com a qualidade desejada se os educadores continuarem sendo obrigados a dar conta de cargas horárias exaustivas e elevadíssimas, em três ou quatro escolas diferentes, responsabilizando-se por três ou quatro centenas de alunos. “Há que se criar espaços internos de encontro e interlocução, as reuniões se tornarão mais frequentes, a discussão sobre os rumos da escola deverá ser cotidiana. E os professores são certamente protagonistas desse processo e precisam ser valorizados”, completa Ramos. Os impactos da reforma serão sentidos ainda na hora das provas e das avaliações, que não raro costumam solicitar a memorização de conteúdos e são idealizadas a partir de modelos estanques e não integrados. Ao anunciar a matriz que deverá conduzir a preparação das questões que farão parte do próximo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), o Ministro da Educação, Fernando Haddad, disse em matéria publicada pelo portal G1 que “a prova privilegiará a interdisciplinaridade e a capacidade de compreensão de conteúdose não mais a chamada decoreba. Se um aluno compreende um fenômeno da natureza, sabe do que se trata, mas esqueceu a fórmula que é geralmente decorada, ele vai conseguir por outros meios chegar à resposta correta”. O ensino médio, portanto, terá de dar conta dessa filosofia. “A partir desse momento, inicia-se um processo de reforma curricular do ensino médio”, completou o ministro, ainda ao G1.

A intenção do CNE é também ampliar a carga horária total (três anos) das atuais 2.400 para 3.000 horas, reservando 20% desse total (600 horas) para que as escolas possam oferecer atividades extra-curiculares, que serão escolhidas pelos alunos, de acordo com os interesses de cada um. “Queremos incentivar e fortalecer atividades que muitas vezes já acontecem, como exposições de artes, eventos culturais e práticas em laboratórios de ciências, mas nem sempre vinculadas ao currículo tradicional. Teríamos espécies de incubadoras dentro das escolas, para dar vazão para a criatividade e o empreendedorismo dos estudantes”, explica Ramos.

Sobre o ritmo de implantação da reforma, os jornais noticiaram em um primeiro momento que as mudanças se dariam já a partir de 2010, provavelmente envolvendo as cem escolas com piores notas no ENEM. Mas Ramos é contra essa fórmula. “Creio que o sistema todo deva ser contemplado, estimulando cada rede e garantindo especificidades. Claro que você não muda uma cultura e as instituições da noite para o dia. Mas é preciso fazer movimentos que deem conta do conjunto. Por isso não concordo em envolver apenas as cem piores escolas”, reforça. Em conversa com o SINPRO-SP, Francisco Aparecido Cordão, membro do CNE e relator do projeto de reforma, afirmou que “a matéria será objeto de uma Audiência Pública Nacional na tarde do próximo dia 1º de junho e, se tudo der certo, terá condições de ser votada até o dia 4 de junho, para que o MEC possa negociar com os Estados possíveis acordos de Cooperação Técnica e Financeira nos meses de julho, agosto e setembro próximos, objetivando, efetivamente, implantar a proposta a partir do início de 2010”. Ele completa: “Todos estão convidados para a Audiência Pública que será realizada no Plenário do Conselho Nacional de Educação em 1º de junho”.

Disponível no site do SINPRO-SP

Lançamento do Meme – o miniblog do Yahoo

Posted Maio 15, 2009 by Julci
Categories: Autorais, Interesses diversos

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Não costumo postar nada com este teor, mas no caso do meme, preciso abrir uma exceção. Em primeiro lugar, meu marido (DSouza) participou da concepção e desenvolvimento da ferramenta, que é 100% brasileira. Foi criado um grupo de inovação, que foi responsável por TUDO no projeto, da concepção do produto, do layout, das funcionalidades…

O que isso tem de interessante? Bom, especialmente para eles, foi uma experiência ímpar. Não receberam encomenda de ninguém, nem ficaram submetidos à área de marketing. São os desenvolvedores e usuários de internet pensando em um produto que agradesse o público brasileiro.

Para nós, além de ser uma ferramenta super bem desenvolvida, com uma interface clean (veja que não tem banner de propaganda), ela foi feita para o brasileiro. Tanto que os “gringos” estão tendo que se virar no português para usá-la., pois ela ainda não foi traduzida. Quer coisa mais legal que isso ?

Ontem (14.05) foi um dia eufórico para o time desenvolvedor. A quantidade de notícias sobre o produto que saíram na imprensa foi impressionante. Dá para ter uma noção do poder da internet e de como as pessoas são influenciadas por ela. O número de usuários pulou de 100 para 600 em apenas 24 horas. E claro, a imprensa não podia deixar de falar bobagens, como “é um clone do twitter”, “só é possível postar 140 caracteres”… e por aí vai.

Mas tivemos uma excelente notícia no info abril, feita por Bruno Ferrari. Clique aqui para ler.

Ah, e uma fofoca: o designer gráfico do produto hoje trabalha no twitter! Veja a entrevista dele aqui.

Desejo muito sucesso aos meninos do Yahoo! e ao Meme, que é tudo de bom!

Julci Rocha

Governo Serra favorece a editora abril

Posted Abril 22, 2009 by Julci
Categories: Cidadania, Educação

O Governo Serra adquiriu 220 mil assinaturas anuais da Revista Nova Escola sem licitação e ainda passou para a Fundação Victor Civita os endereços pessoais dos professores, sem qualquer comunicado ou pedido de autorização dos mesmos, infringindo a Lei de Licitações e o direito individual dos professores do Estado de São Paulo. Deputados do PSOL entraram com uma representação no Ministério Público pedindo investigação a respeito desses e de outros contratos do governo estadual com a editora Abril. Veja pronunciamento do deputado Ivan Valente sobre o assunto.

Fontes:

http://www.fflch.usp.br/df/caf/blogs/antonio-david/governo-serra-favorece-editora-abril

http://www.ivanvalente.com.br/CN02/noticias/nots_07_det.asp?id=2207

http://chicaodoispassos.blogspot.com/2009/03/serra-e-editora-abril-milhoes-em_3102.html

Mercantilização da infância

Posted Abril 16, 2009 by Julci
Categories: Cidadania, Consumo

Na terça-feira (14/04) participei do 71º Fórum do Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz cujo tema foi “Mercantilização da Infância”. Minha irmã estava comigo, e fez uma síntese do conteúdo apresentado por Lais Fontenelle e Isabella Henriques.

Maiores informações visitem os sites:

www.institutoalana.org.br
www.criancaeconsumo.org.br

PALESTRA:
MERCANTILIZAÇÃO DA INFÂNCIA – Um problema de todos
Isabella Henriques / Lais Fontenelle
(conteúdo disponível no site do Instituto

UNESCO / PALAS ATHENA

Na atualidade a criança é vista pelo mercado apenas como UM CLIENTE POTENCIAL…

Segundo Piaget – as etapas do desenvolvimento infantil são:

  • 0-2 => sensório motor
  • 2-4 => pré-operatório
  • 4-7 => operatório concreto (notem que a maioria das campanhas voltadas ao público infantil se direcionam para essa idade – período no qual a criança ainda não cria hipóteses, portanto, acredita no que o mundo diz) – Observem que ela ainda não está preparada para “digerir” os conteúdos da publicidade
  • 9-12 => operatório formal

Em 1995, Godfrey Reggio, dirigiu um filme que mostra as reações das crianças diante da televisão. Elas ficam totalmente hipnotizadas! O vídeo está disponível no youtube. Assista e faça a sua análise.

Segundo uma pesquisa inglesa, até os 8 anos a criança não sabe diferenciar o conteudo da programação ao da publicidade, portanto são muito mais vulneráveis aos apelos dos anúncios.

Os três itens de maior influência na compra de produto infantil são: 1) Publicidade na TV, 2) Personagem Famoso, 3) Embalagens. Se observarmos muito rapidamente o mercado, encontramos vários itens nessa “categoria”, como por exemplo os alimentos prontos da Turma da Monica, Meninas Superpoderosas, Homem Aranha, e mais uma infinidade… O pior, em geral, são alimentos com exagerados níveis de gordura, sal e açucar. O valor nutritivo é baixíssimo!

Crianças tem um gosto especial por coleções e a publicidade tem usado isso de maneira totalmente abusiva. Vocês já notaram como as campanhas de McLanche Feliz e outras similares, onde se compra um alimento ou outro produto para adquirir um brinquedo e formar uma coleção, estão sendo lançadas em intervalos cada vez menores? Imaginem essas crianças “consumindo” alimentos dessa qualidade em frequências cada vez menores… Enquanto isso, atualmente, 30% das crianças no Brasil estão acima do peso ideal… Não está se falando em estética, e sim em SAÚDE.

Você sabia que as crianças e os adolescentes brasileiros são os que mais tem amigos virtuais? E que o tempo médio DIÁRIO da criança brasileira em frente a TV é de 4h50m11s? São quase 5 horas hipnotizadas pela TV… São as crianças que mais assistem TV no mundo!!!

Estudos apontam que 80% dos processos decisórios da compra de uma casa são das crianças. E bastam apenas 30 SEGUNDOS para uma marca influenciar uma criança. A publicidade e a TV estão conversando com a criança o tempo todo, enquanto os pais, normalmente só o fazem no final do dia…

Há um excessivo apelo a erotização precoce. Kibon + Hello Kitty dançando funk, um exemplo sem comentários…

Pessoal, o assunto é sério e os estragos são grandes porque o desejo é implantado na criança e não fruto de sua vontade. E o que vemos?
- consumismo infantil
- formação de valores materialistas
- obesidade infantil
- erotização precoce
- disturbios alimentares
- consumo precoce de alcool e tabaco
e muitos outros…

Na relação de consumo a criança vai ser sempre vulnerável porque ela é deficiente de julgamento e experiências. Não podemos igualar o pensamento infantil ao adulto.
Na atualidade temos visto a publicidade vender valores, e não produtos! São vendidos “ingressos sociais”… Isso não é nenhuma novidade para os consumidores mais antenados, mas será que devemos nos conformar com isso???

Por fim, se você puder, assista ao filme A ALMA DO NEGÓCIO, de Jose Roberto Torero (1996). Pensemos no nosso consumo adulto…
Também está no youtube.