Vitor Paro falando sobre a educação – 22/12/08

30 de Maio de 2009 at 11:32 4 comentários

Este vídeo apresenta a participação do professor da USP Vitor Henrique Paro respondendo a perguntas dos telespectadores.

Simplesmente foi uma das melhores entrevistas que eu pude acompanhar sobre o tema.

Segue algumas frases que valem a pena ser destacadas (transcritas livremente)

A educação não tem o mesmo status das outras ciências na sociedade. Quando se fala de medicina chama-se um médico para comentar o assunto, não o doente para explicar a moléstia. Quando se fala de educação, chama-se ou o jornalista, ou o pai do aluno, ou o professor, enfim, nem sempre são as pessoas que estão ao par do que acontece”

Educação não é apenas passar conhecimento. Conhecimento se passa em todo lugar.  O que precisa ser feito na escola é construir personalidades, passar conhecimentos como cultura. Cultura é conhecimento, mas também é feita de valores, crenças, filosofia, ciências, arte, utilização do corpo. Por que não aprendemos a paz na escola?”

O conceito de educação é apropriação da cultura, ou seja, o que o homem se propõe a fazer e realiza (tudo o que o homem cria). Conhecimento se aprende em qualquer outro meio (livro, internet).

Está demonstrado cientificamente pela ONU e pela UNESCO que assim como a aspirina não cura câncer no estômago, 40 alunos por sala não é possível.

Dizer que a escola é maravilhosa e o aluno é que não comparece é a mesma coisa que dizer que um cirurgia foi um sucesso, só que o paciente morreu” Os professores se espantam com o desinteresse da criança. Ora, se ela tivesse interesse por si própria, ela não precisaria do professor, que ganha para isso. Você precisaria ter sido formado para criar interesse.”

Precisamos saber acima de tudo o que queremos fazer. Eu quero que as pessoas saibam a ler e escrever, mesmo sabendo que 90% das pessoas que sabem ler e escrever não leem e não escrevem? A escola não ensinou a elas o prazer de ler e escrever.”

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4 Comentários Add your own

  • 1. Professora Lúcia Regina  |  9 de Julho de 2009 às 22:05

    Sem dúvida excelente a descrição que Paro faz sobre a educação. Mas coloco um porém: já ensinamos as crianças a não jogar lixo na rua, damos afeto que não recebem dos pais, brincam de capoeira na escola, tem aulas na biblioteca, infinidades de projetos de leitura…isso porque estou falando da séries iniciais do Ensino Fundamental. Mas assim mesmo as crianças não aprendem a ler e escrever para atuarem como sujeitos ativos na sociedade. Os professores não são competentes, não conseguem fazer os alunos se interessarem? Nem que virem uma fada madrinha ou um mágico. Por que? Para mim a causa está no currículo engessado, por uma autonomia que não existe, por um PPP engavetado (que não passa de mais um papel),porque dá muito trabalho fazer o conselho de escola funcionar, e por outros “n” motivos. Concordo muito com ele sobre as comparações que faz com a medicina. Eu sempre digo aos meus alunos: como vir prá escola sem lápis, materiais necessários para estudar? Um médico não faz cirurgia se não tiver bisturi e outros instrumentos. Pois é… continuamos lutando…

    Responder
    • 2. Julci  |  10 de Julho de 2009 às 17:40

      Oi Professora Lucia,

      Em primeiro lugar, muito obrigada por compartilhar suas opiniões aqui neste blog.
      Bem, acho que Vitor Paro concorda com você com relação a estes aspectos (currículo engessado, por uma autonomia que não existe, por um PPP engavetado (que não passa de mais um papel),porque dá muito trabalho fazer o conselho de escola funcionar, e por outros “n” motivos). Quando ele coloca que educação não é só passar conhecimento, certamente se refere a estes currículos que são apenas rol de disciplinas estagnadas. Para ele, e acredito que para mim e para você, a escola é mais do que um espaço para se ensinar gramática, álgebra ou formulas: é um espaço de construção da cidadania. Mas sem um engajamento verdadeiro dos atores que atuam na escola, a cidadania vira discurso. Como falar de escola que forma cidadaos se não existe um projeto coletivo, se os espaços de participação (como o conselho de escola) foram esvaziados e só existem para ingles ver. Aí está a importância do gestor que acredita na escola pública e faz a coisa funcionar de fato.

      O que você acha?

      Um grande abraço e… continuamos na luta, sempre!

      Responder
  • 3. elisabete barbosa  |  23 de Agosto de 2010 às 16:14

    Olá, Julci!

    Sou mãe e como muitas sonha com uma educação melhor para seu filho. E para nós mãe é dificil ter um parametro do que poderia ser melhor.
    O que você pode falar de educação em tempo integral?
    O que são atividades culturais e esportivas, vivências, na prática para o aluno?
    Pois a escola em que meu filho está cursando não muito clara quanto essas matérias, como elas dizem “parte diversificadas”.

    Poderia me ajudar?

    Um abraço,
    Elisabete

    Responder
  • 4. Clayton Avelino Vargens  |  3 de Abril de 2012 às 11:31

    Existem sim: currículos que não atendem as diversas culturas formadas em cada região; ppp’s que não saem das gavetas; conselhos que não atuam como deveriam. Agora, a escola de alguma forma está presente, por mais precária que seja ou, por melhor que seja. O que percebo, hoje, é que as famílias perderam o conceito de família, o estado não atua de forma mais rígida com pais irresponsáveis que jogam seus filhos no mundo sem o devido acompanhamento e, esses acabam no mundo da criminalidade e, a escola paga o pato. Existem maus professores e bons professores como em qualquer outra profissão em qualquer lugar do mundo, com um diferencial,vivemos em um país que está a beira do caus social e, nada está sendo feito para mudar. Não nos comparemos com os argentinos, com chilenos ou com uruguaios, nós estamos muito aquém, isso sem falar de americanos, canadenses, europeus, australianos, etc… Precisamos ser mais pragmáticos e agirmos mais para mudar essa realideade. Muita liberdade é sinônimo de anarquia e indisciplina.

    Responder

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