Reflexões sobre educação, problemas da “modernidade” e outras coisas…

Julho 9, 2009

Texto para pensar…

Arquivado em: Cidadania, Pensamentos — Julci @ 6:18 pm

Texto atribuído ao Neto, MENTOR MUNIZ NETO, diretor de criação e sócio da Bullet, uma das maiores agências de propaganda do Brasil, sobre a crise mundial.

“Vou fazer um slideshow para você.
Está preparado?
É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas.
Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos.
Os slides se sucedem.
Êxodos de populações inteiras.
Gente faminta.
Gente pobre.
Gente sem futuro.
Durante décadas, vimos essas imagens.
No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.
São imagens de miséria que comovem.
São imagens que criam plataformas de governo.
Criam ONGs.
Criam entidades.
Criam movimentos sociais.
A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em
Bogotá sensibiliza.
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se
sucederam nas nações mais poderosas do planeta.
Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema
da fome no mundo.
Resolver, capisci?
Extinguir.
Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em
nenhum canto do planeta.
Não sei como calcularam este número.
Mas digamos que esteja subestimado.
Digamos que seja o dobro.
Ou o triplo.
Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.
Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que
sensibilizasse.
Não houve documentário, ONG, lobby ou pressão que resolvesse.
Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da
cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na
Europa)para salvar da fome quem já estava de barriga cheia. Bancos e
investidores.

Julho 8, 2009

Congressos em Educação – 2009

Arquivado em: Educação — Julci @ 7:01 pm

De 13/07 à 16/07 em São José do Rio Preto

IV Encontro Brasileiro de Educação e Marxismo

Unesp – S. J Rio Preto

Valor das inscrições no local do evento: R$ 40,00

Mais informações em: http://www.eventos.ibilce.unesp.br/encontro/index.html

De 14/07 à 16/07 em São Paulo

VII Congresso Internacional sobre avaliação na educação

Valor das inscrições no local do evento : R$ 295,00

Centro de Convenções Frei Caneca

Mais informações em: www.futuroeventos.com.br

30/08 à 02/09 em Águas de Lindóia

X Congresso Estadual Paulista sobre formação de educadores

Aceite de trabalhos até 16/06

Valor das inscrições até 10/08 (pós-graduandos) : R$ 120,00

Após esta data: R$ 140,00

Mais informações em: http://www.fundunesp.unesp.br/congresso/inicio.php

08/09 à 11/09 em São Paulo

V Congresso Paulista de educação Infantil

Valor das inscrições para estudante até 10/08 : R$ 50,00

Até 04/09: R$ 60,00

FEUSP – Paço das Artes

Mais informações em: http://www3.fe.usp.br/secoes/inst/novo/

09/09 à 11/09 em Curitiba

IX Seminário Pedagogia em Debate e IV Colóquio Nacional de Formação de Professores

Universidade Tuiutí do Paraná

Aceite de trabalhos até 28/07

Valor de inscrição para pós-graduandos: R$ 40,00

Mais informações em: http://www.utp.br/divulgacao/IX_pedagogia_em_debate/

28/09 à 1/10 em São Paulo

II Congresso Nacional de Licenciaturas: Ciência, Ensino e Aprendizagem

Universidade Presbiteriana Mackenzie

Aceite de trabalhos até 08/08

Valor da inscrição para pós-graduandos: R$ 60,00

Mais informações em: http://www.mackenzie.br/14622.html

09/11 à 13/11 em São Paulo

Semana da Educação

FEUSP

Mais informações em : http://www3.fe.usp.br/secoes/inst/novo/eventos/detalhe.asp?num=57#resumo

Junho 24, 2009

Excelente jogo para testar seus conhecimentos sobre a nova ortografia

Arquivado em: Nossa Língua Portuguesa — Julci @ 3:05 pm

Encontrei este jogo no site Educar para Crescer, da editora abril e resolvi compartilhar.

Trata-se de um excelente objeto de aprendizagem, com perguntas e feedback muito bem elaborados.

Dá para realmente testar os seus conhecimentos e aprender com os erros e acertos.

http://educarparacrescer.abril.uol.com.br/jogo-das-palavras/

Vale a pena. Recomendadíssimo.

Junho 18, 2009

Quando “não” usar a crase

Arquivado em: Nossa Língua Portuguesa — Julci @ 11:29 am

Achei um site com exemplos de quando não usar a crase. Ele também dá algumas dicas de como “testar” o caso para saber se recebe ou não a crase.

Seguem alguns casos que estão explicados no site. Afinal, eles levam ou não a crase?

  • Entregamos à domicílio.
  • Vendas à prazo com planos especiais.
  • 15 sabores à escolher.
  • Prestações à perder de vista.
  • Trajes à rigor.
  • Preços à vista com 10% de desconto.
  • Atendemos de segunda à sexta.
  • Ótima localização, à 10 minutos do metrô.
  • Lindos bordados feitos à mão.
  • Diariamente até às 18:00.
  • Conjuntos infantis à partir de R$ 15,00.

Endereço: http://www.ufv.br/tutoria/portugues/crase.htm

Neste outro site foi criada uma lista com diversas locuções em português, identificando se elas possuem ou não a crase.

Endereço: http://www.ceismael.com.br/oratoria/oratoria014.htm

Junho 7, 2009

Ações afirmativas e a grande mídia

Arquivado em: Cidadania — Julci @ 11:10 am

A matéria “A grande mídia contra as ações afirmativas” escrita por Fernando Conceição e disponível no Observatório da Imprensa é um grande alerta para todos aqueles que se preocupam com a democracia e a liberdade de expressão.

Independente de sermos contra ou a favor do Estatuto de Igualdade Racial e das ações afirmativas (que não se resumem as cotas), precisamos garantir o direito ao debate destas questões. A Rede Globo, Folha de São Paulo e Editora Abril não estão respeitando a premissa de um Estado Democrático.

O que posso falar sobre isso ? Para variar, são sempre as mesmas figurinhas carimbadas que agem de forma autoritária e manipuladora. Até quando seremos reféns desta mídia corrompida?

Só para se ter uma noção do quanto esta postura é descarada, o Diretor de Jornalismo da rede globo, Ali Kamel, escreveu um livro chamado “não somos racistas“, em 2006, defendendo que não existe racismo no Brasil. Uma resenha na revista veja teceu elogios ao livro de Kamel. Será que eles pensam igual??

Vale a pena ler e pensar…

Disponível em: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=540JDB003

Junho 4, 2009

Diretrizes curriculares e pedagogia

Arquivado em: Currículo — Julci @ 10:32 am

Qualidade de ensino e os equívocos das diretrizes curriculares da pedagogia

SONIA PENIN

A qualidade de ensino no país é resultado de uma complexa equação histórico-político-econômica e legal que repercute na formação de professores, aspecto crucial dessa equação. Analisar o assunto requer rever a história e o cenário atual e evitar generalizações.

Na história da formação de professores no Brasil, há uma longa distância entre os cursos destinados ao ensino primário e aqueles voltados para o secundário. Os primeiros (Curso Normal) datam da primeira metade do século 19; os últimos, de 1931, com a criação das universidades, que tinham no seu âmago a ideia de que à formação de bacharéis em ciências/artes/humanidades, necessária ao desenvolvimento do país, deveria se acoplar um ano de Licenciatura, formando professores para o ensino secundário (modelo 3+1).

A Pedagogia insere-se nessa história. Regulamentada em 1939, formava precipuamente bacharel em Educação e, adicionalmente, professor das disciplinas pedagógicas para o Curso Normal. O bacharel exercia funções na administração, planejamento de currículos, orientação, avaliação do desempenho de alunos/docentes, pesquisa e desenvolvimento tecnológico da educação e, por concurso, assumia cargos de inspetor, diretor de escola, delegado de ensino.

Em 1968, a Lei da Reforma do Ensino Superior reforçou o caráter precípuo de bacharelado do curso de Pedagogia, organizando o currículo por habilitações, atendendo à crescente ampliação dos sistemas de ensino pelo maior acesso das classes trabalhadoras à escola e às exigências da industrialização. Nesse movimento, a escola torna-se culturalmente mais diversa, requerendo mais rigor na formação de professores e pedagogos.

Nos anos 70-80 os movimentos sociais se fortalecem e os de educadores revêem tanto a formação de professores quanto a de pedagogos. O modelo 3+1 é amplamente criticado e fortalece-se a ideia da docência como articuladora do curso de Pedagogia. São criados cursos experimentais exclusivamente de licenciatura, como Matemática e Física na USP.

Em 1986, um parecer do Conselho Federal de Educação (nº 161) permitiu pela primeira vez que pedagogos lecionassem no ensino primário. À época, todavia, a norma não foi extensamente utilizada devido ao fato de a maioria dos alunos de Pedagogia ser proveniente do Normal, muitos com especialização na pré-escola.

Em 1996, a vigente LDB confirma Pedagogia como curso de formação dos profissionais da educação (administração, supervisão etc.), com possibilidade de ser oferecida em nível de pós-graduação. A mudança radical proposta nessa lei é a definição de que a formação de professores para a docência na educação infantil e séries iniciais do ensino fundamental seja realizada em nível superior. O Normal de nível médio é apenas admitido.

O curso Normal Superior e, sobretudo, o seu locus, os Institutos Superiores de Educação, alvo de críticas, foram implantados pouco nas instituições públicas e mais nas particulares, nesse período atendendo à maioria dos estudantes. O curso Normal de nível médio foi extinto em vários estados, criando um paradoxo, uma vez que o preparo para o magistério dos anos iniciais, realizado com bons e até excelentes níveis por alguns modelos adotados na modalidade Normal (como os Cefams, em São Paulo), não tem se mantido na maioria dos cursos que os substituíram. Na Pedagogia há uma tensão entre o domínio do ofício de ensinar crianças de 0 a 10 anos e o bacharelado.

Por outro lado, há pouca clareza ao fato de que licenciatura para qualquer nível de ensino deixou de ser uma simples licença para ensinar, obtida em um ano adicional de estudos, para ser uma profissão. Uma pergunta se destaca: quanto uma profissão deve ou pode incluir do domínio de diferentes ofícios? A esta, outras questões se juntam em face da complexa contemporaneidade e da diversificação do alunado.

O cenário descrito impõe urgente revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia de 2005. Não se pode subestimar a inversão desastrosa realizada sobre a história da área. Colocar o pedagogo como precipuamente e ao mesmo tempo professor de toda a educação infantil e séries iniciais do ensino fundamental, com atuação adicional em funções também numerosas relativas ao bacharelado, compromete a essência epistemológica da pedagogia. Igualmente, docência é uma profissão e demanda formação plena, mesmo articulada ao bacharelado. Necessária, a revisão da formação não é suficiente à melhoria da qualidade de ensino no país. Mudanças na atualidade e nas localidades tornaram mais complexa a docência, requerendo valorização da profissão e busca por talentos. Valorização pressupõe remuneração justa e boas condições de trabalho, assim como políticas acolhedoras e formação continuada. Remuneração justa prevê comparações cabíveis entre profissões de semelhante exigência no país. Difícil aceitar que nossa sociedade permita que se premie de forma tão desigual as funções do Judiciário, Legislativo e algumas do Executivo, onde, em início de carreira, um profissional recebe de oito a nove vezes mais que um docente da educação básica.

Além da formação e valorização profissional, outros aspectos compõem a equação qualidade de ensino, realçando-se tempo de estudo do aluno, aulas dadas e recuperação. Assim, não é possível imputar generalizadamente aos profissionais ou às instituições formadoras o baixo nível da qualidade de ensino no país. Com exceção do alunado, não há inocentes; governos e sociedade estão em questão e é do futuro da nação o que aqui se trata.

Sonia Penin é diretora da Faculdade de Educação da USP.

Jornal da USP, 4 maio 2009.

Maio 30, 2009

Vitor Paro falando sobre a educação – 22/12/08

Arquivado em: Educação — Julci @ 11:32 am

Este vídeo apresenta a participação do professor da USP Vitor Henrique Paro respondendo a perguntas dos telespectadores.

Simplesmente foi uma das melhores entrevistas que eu pude acompanhar sobre o tema.

Segue algumas frases que valem a pena ser destacadas (transcritas livremente)

A educação não tem o mesmo status das outras ciências na sociedade. Quando se fala de medicina chama-se um médico para comentar o assunto, não o doente para explicar a moléstia. Quando se fala de educação, chama-se ou o jornalista, ou o pai do aluno, ou o professor, enfim, nem sempre são as pessoas que estão ao par do que acontece”

Educação não é apenas passar conhecimento. Conhecimento se passa em todo lugar.  O que precisa ser feito na escola é construir personalidades, passar conhecimentos como cultura. Cultura é conhecimento, mas também é feita de valores, crenças, filosofia, ciências, arte, utilização do corpo. Por que não aprendemos a paz na escola?”

O conceito de educação é apropriação da cultura, ou seja, o que o homem se propõe a fazer e realiza (tudo o que o homem cria). Conhecimento se aprende em qualquer outro meio (livro, internet).

Está demonstrado cientificamente pela ONU e pela UNESCO que assim como a aspirina não cura câncer no estômago, 40 alunos por sala não é possível.

Dizer que a escola é maravilhosa e o aluno é que não comparece é a mesma coisa que dizer que um cirurgia foi um sucesso, só que o paciente morreu” Os professores se espantam com o desinteresse da criança. Ora, se ela tivesse interesse por si própria, ela não precisaria do professor, que ganha para isso. Você precisaria ter sido formado para criar interesse.”

Precisamos saber acima de tudo o que queremos fazer. Eu quero que as pessoas saibam a ler e escrever, mesmo sabendo que 90% das pessoas que sabem ler e escrever não leem e não escrevem? A escola não ensinou a elas o prazer de ler e escrever.”

Maio 25, 2009

Design: não são os olhos, é o cérebro que vê – Marcos Nähr

Arquivado em: Design Instrucional — Julci @ 4:49 pm

Mesmo em uma mídia composta basicamente por textos, a linguagem gráfica se faz necessária. É ela a responsável pela perfeita comunicação entre o conteúdo da mensagem e seu público.

Por Marcos Nähr

As várias etapas da construção de uma imagem visual já vem sendo estudadas há algum tempo por psicólogos e sua opinião é unânime: a visão não é uma percepção que ocorre por inércia, uma recepção de objetos e formas exteriores que se impõe em bloco a células visuais passivas.

O sistema que capta os fótons é necessário, sem dúvida, mas ele é insuficiente para induzir uma imagem das coisas que nos cercam. Para completar o processo é necessário uma atividade cerebral que transforme as informações implícitas em informações explícitas, um processo que converta descargas elétricas em imagens coerentes.

Os objetos e formas não chegam até nós como tais, são reconhecidos e reconstruídos por nosso cérebro, dotado de capacidade de análise, de síntese e de hierarquização. Não é o olho, mas sim o cérebro que vê.

Mas como o cérebro constrói uma imagem, a imagem daquilo que acredita estar ali, mas não está realmente?

Neste processo estão aparentemente envolvidas duas etapas. De um lado uma interpretação simbólica, que vai evoluindo em níveis cada vez mais complexos, de outro uma comparação ao que se entende como realidade.

A imagem global é construída em etapas sucessivas em direção a um nível cada vez mais alto de integração que proporciona uma imagem visual completa.

Uma sensação, uma simbolização, uma comparação, uma percepção e novas simbolizações em escala cada vez mais complexa. Estas são as principais etapas da atividade cerebral envolvida na criação da imagem. Nesta integração efetuada em bloco, conta mais o conjunto do que os detalhes que o constróem.

A nossa visão implica funções de análise, de reconhecimento e de reintegração num quadro familiar.

Esta comunicação sinestésica e subliminar que chega até nossos olhos através de cores, tipos, formas gráficas e estilos pode ser chamada de design invisível.

Esta linguagem explicitamente gráfica do design invisível pode ser considerada um dos objetos principais de construção e transmissão de uma mensagem.

É por isto que mesmo em uma mídia composta basicamente por textos, a linguagem gráfica se faz necessária. É ela que será responsável pela perfeita comunicação entre o conteúdo da mensagem e seu público.

Marcos Nähr (Marcos_Nahr@Dell.com) é formado em Design Gráfico, consultor de conteúdo para o Global eCommerce da Dell Computadores e professor do Comunicação Digital da Universidade do Vale do Rio dos Sinos.

Disponível em:

http://webinsider.uol.com.br/index.php/2004/08/25/design-nao-sao-os-olhos-e-o-cerebro-que-ve/

Maio 21, 2009

Repositórios de Objetos de Aprendizagem disponíveis na internet

Arquivado em: Design Instrucional, Educação a distância — Julci @ 11:34 am

Repositórios Nacionais

  • RIVED – Rede Interativa Virtual de Educação

http://www.rived.mec.gov.br/

  • Banco Internacional de Objetos Educacionais

http://objetoseducacionais2.mec.gov.br

  • Domínio Público

http://www.dominiopublico.gov.br

  • CESTA – Coletânea de Entidades de Suporte ao Uso da Tecnologia na Aprendizagem

http://www.cinted.ufrgs.br/CESTA/cestadescr.html

  • Universidade Federal do Rio Grande do Sul – NUTED

http://www.nuted.edu.ufrgs.br/objetos/

  • Portal do Professor

http://www.portaldoprofessor.mec.gov.br

  • Laboratório Virtual da USP (exclusivo para as áreas de Química e Física)

http://www.labvirt.fe.usp.br/

  • KlickEducação  (não é público, mas permite acesso gratuito em algumas áreas)

http://www.klickeducacao.com.br

  • Biblioteca Virtual do Estudante de Língua Portuguesa

http://www.bibvirt.futuro.usp.br/index.php

  • Micro & Gene – USP

http://www.ib.usp.br/microgene/index.php?pagina=atividades

  • UNIFRA-  Centro Universitário Franciscano

http://sites.unifra.br/Default.aspx?alias=sites.unifra.br/rived

  • Soft Ciências

http://nautilus.fis.uc.pt/mn/p_index.html

  • Unijuí

http://www.projetos.unijui.edu.br/matematica/fabrica_virtual/

  • Educa Rede:

http://www.educarede.org.br/educa/index.cfm?pg=ensinar_e_aprender.turbine_principal

  • Copyleft – Pearson:

http://www.copyleftpearson.com.br/busca.aspx

Repositórios Internacionais

  • Stanford OpenCourseWere

http://stanfordocw.org

  • Merlot – Online Learning Material

http://www.merlot.org/merlot/index.htm

  • Science Netlinks

http://www.sciencenetlinks.com/resources_list.cfm?Grade=9-12&BenchmarkID=5

  • Intute

http://www.intute.ac.uk/

  • Wisc Online

http://www.wisc-online.com/

  • Careo – Campus Alberta Repository of Educational Objects

http://www.ucalgary.ca/commons/careo/

  • Profetic – Intégration des TIC et nouvelle pédagogie universitaire

http://www.profetic.org/spip.php?rubrique19

Pesquisa realizada em 20/05/2009

Maio 18, 2009

O livro didático sob o risco da alienação

Arquivado em: Currículo — Julci @ 9:15 pm

02/06/2008 15:54

A elaboração de conteúdos de livros didáticos encontra-se na iminência de cair sob o controle de empresas multinacionais, cujos interesses não coincidem necessariamente com os interesses do contexto nacional do ensino e da aprendizagem das futuras gerações de brasileiros. Atualmente, das seis maiores empresas que dominam o mercado de livros didáticos no País pelo menos quatro são estrangeiras. E, se se consumar, como se anuncia na imprensa, a venda das editoras Ática e Scipione — atualmente de propriedade do grupo Abril em sociedade com multinacionais — para um grupo espanhol, a responsabilidade pela elaboração dos conteúdos irá transferir-se, na sua quase totalidade, para mãos estrangeiras.

Não se pretende com a advertência despertar a xenofobia, que não é e nunca foi componente da cultura brasileira. Ao contrário, esta se distingue como paradigma de tolerância e de respeito à diversidade. Mas não se pode deixar de registrar que a ausência de uma política nacional do livro didático — que o governo Lula e o Partido dos Trabalhadores estão a dever ao País — mantém desguarnecido um flanco que país algum, que seja cioso de sua soberania e de seus interesse nacionais, mantém aberto, ou mais propriamente escancarado, como ocorre no caso brasileiro.

Na aparência, pelo menos, não nos encontramos em situação de já não reconhecer a bandeira nacional. Ainda não vivenciamos o desconforto de presenciar em relação ao Brasil a troca de farpas diplomáticas entre o rei Juan Carlos, da Espanha, e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a propósito de visões divergentes — a do dominador e a do dominado —, sobre a herança colonial. Mas, em princípio, a exemplo do que já ocorreu em outros países, nada impede que, num contexto em que os interesses do mercado desregulado passem a prevalecer sobre as injunções do contexto cultural nacional, o controle sobre o conteúdo do livro didático venha a ser exercido de fora para dentro.

Lembre-se a propósito da epopéia, de má memória, do “Imperial Curriculum” (curriculum imperial), expressão utilizada na literatura acadêmica para caracterizar a empreitada de deformação e malformação da percepção e visão de mundo dos povos colonizados, pelos colonizadores britânicos, mediante o controle sobre a literatura didática posta à disposição dos alunos nos países subjugados. Por meio da evangelização, da colonização ou da alfabetização em massa, os modelos nacionais têm sido exportados e difundidos no exterior, na linha de menor resistência — e esse processo tem-se acentuado ainda mais com a globalização. Por isso, de uns dez anos para cá, as questões relativas à utilização, à tradução, à adaptação de livros didáticos estrangeiros passaram a se constituir em objeto de numerosos estudos, na Grécia, Itália, Argentina, Chile, México, Canadá e em muitos outros países.

Compreende-se o interesse das multinacionais pelo mercado brasileiro de livros didáticos: o programa do governo federal de compras de livros didáticos é o maior do mundo. Maior filão do mercado editorial, segundo informações do MEC, 75% das vendas de livros didáticos ao governo são disputadas por apenas quatro empresas (Moderna, FTD, Ática e Saraiva), que dividiram entre si três quartos, ou R$ 559,8 milhões dos R$ 746,4 milhões gastos pelo Ministério da Educação com material didático fornecido aos municípios em 2008. Esse valor é 43% superior aos R$ 523 milhões despendidos em 2007, o que sugere que, além de o País contar com o maior programa de compras de livros didáticos, esse segmento do mercado editorial brasileiro é também o que mais cresce no mundo.

Para abocanhar partes crescentes desse bolo, as editoras em geral não medem esforços, éticos ou condenáveis, para influenciar os responsáveis, direta e indiretamente, pelas compras, da mesma forma como procedem laboratórios farmacêuticos junto à classe médica. Para contê-las em seus ímpetos mercantis, o MEC elaborou recentemente uma cartilha de boas maneiras, para uso das editoras junto aos professores e às escolas. Contudo, a iniciativa, que alcançou eficácia relativa, não chegou a debelar o mal. Tanto assim que um dos motivos admitidos reservadamente por um diretor da Abril Educação, para sair do setor, é que a empresa não se encontra à altura da agressividade da concorrência, com a distribuição de automóveis, viagens internacionais e outros “mimos” para professores, diretores de escolas e autoridades da área de educação. E se o leitor duvidar de tal agressividade, sugiro que abra o site da Fundación Santillana, por exemplo, e constate a proximidade que a empresa espanhola mantém historicamente de ministros brasileiros da Educação, chefes de departamentos do MEC, secretários estaduais da educação e secretários municipais, caracterizando um dos lobbies mais bem incrustados no aparelho de estado brasileiro, do mesmo modo como procede em todo o mundo ibero-americano.

É dessa forma que se criam redes de relações sociais entre políticos, funcionários públicos e empresas (e seus tentáculos, como fundações, ONGs, etc.) que influenciam e conformam o pensamento político sobre a educação. Nesse tipo de rede, quase nunca é clara a distinção entre o que é assessoria, consultoria, apoio, patrocínio ou atividade de lobby. É sob esse estado ambíguo que o ex-ministro da Educação do governo FHC, Paulo Renato Souza, ao deixar a sua cadeira no Ministério, tomou imediatamente assento na Santillana, como “consultor”, assim como Mônica Messenberg, braço direito de Paulo Renato no MEC na condição de executiva responsável pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, passou a ocupar alto cargo executivo na mesma empresa, como diretora de assuntos institucionais (leia-se: lobby junto a governos, secretarias estaduais e municipais de Educação) da editora Moderna (Santillana).

O interesse pelo livro didático cresce à medida em que esse mercado transpõe fronteiras sob o impulso da acumulação do capital a partir dos países centrais e a leniência de países periféricos, ao mesmo tempo em que, no campo ideológico, acirra-se a disputa conceitual entre educação como mercadoria e educação como formação integral sob a responsabilidade do Estado. Nesse contexto, é de destacar que os livros escolares assumem múltiplas funções associados aos interesse estratégicos da soberania nacional. De acordo com Alain Choppin, especialista na história dos livros didáticos, a pesquisa mostra que os livros didáticos exercem quatro funções essenciais. São elas:

1. Função referencial, também chamada de curricular ou programática, que se constitui no suporte dos conteúdos educativos, depositário dos conhecimentos, técnicas ou habilidades que um grupo social assume como necessários para transmitir às novas gerações.

2. Função instrumental: o livro didático põe em prática métodos de aprendizagem, propõe exercícios ou atividades que visam a facilitar a memorização dos conhecimentos, favorecer a aquisição de competências, a apropriação de habilidades, de métodos de análise ou de resolução de problemas, etc.

3. Função ideológica e cultural: é a função mais antiga e estratégica. A partir do século XIX, com a constituição dos estados nacionais, o livro didático se afirmou como um dos vetores essenciais da língua, da cultura e dos valores das classes dirigentes. Instrumento privilegiado de construção de identidade, geralmente é reconhecido, assim como a moeda e a bandeira, como um símbolo da soberania nacional e, nesse sentido, assume um importante papel político. Essa função, que tende a aculturar – e, em certos casos, a doutrinar – as jovens gerações, pode se exercer de maneira explícita, sistemática e ostensiva, ou, ainda, de maneira dissimulada, sub-reptícia, implícita, mas não menos eficaz.

4. Função documental: o livro didático pode fornecer um conjunto de documentos, cuja observação ou confrontação podem vir a desenvolver o espírito crítico do aluno, no exercício de construção de sua percepção e visão de mundo, que variam de acordo com o contexto nacional e local em que ele se encontra.

A importância de tais funções, no contexto da autonomia nacional, sobressai ainda mais, ao se constatar a existência de iniciativas do mercado que visam a subvertê-las. No que se constitui na mais recente ameaça ao processo independente e democrático de seleção e escolha do livro didático, sob a coordenação do MEC, surgem grupos educacionais — empresas que exploram a educação privada e que mais recentemente decidiram por fazer incursões mercantis também no setor público — para a venda de material didático diretamente às prefeituras, secretários municipais da educação, funcionários públicos, diretores de escola e professores. Trata-se de um conluio entre autoridades estaduais e municipais, de um lado, e empresas de material escolar, de outro, que tem por objetivo neutralizar e reverter na prática as diretrizes e normas sobre o livro didático estabelecidas pelo MEC, trazendo de volta o tráfico de influência, a ausência de controle de qualidade e eventual corrupção no processo de compra.

Como expediente para escapar ao controle do MEC, autoridades municipais e estaduais entendem-se diretamente na negociação de “apostilas” e “material pedagógico” – eufemismos utilizados para dispensar o governo federal de prover às escolas os livros didáticos avaliados pelos especialistas. A compra desse material por parte das prefeituras caracteriza um dispêndio desnecessário, já que o MEC distribui os livros gratuitamente. O argumento utilizado pelos prefeitos para justificar a realização do negócio diretamente junto às editoras é que o material didático adquirido representa um “diferencial de qualidade”. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o negócio do “diferencial de qualidade” entre administrações municipais e grandes editoras tem-se revelado como um dos mais rentáveis e auspiciosos, apresentando resultados financeiros no balanço das empresas, que, a cada ano, chegam a 50% acima dos do ano anterior. Assim, entra pela porta dos fundos o que o MEC nos últimos anos havia conseguido expelir pela porta da frente.

É sabido que a imagem da sociedade apresentada pelos livros didáticos corresponde a uma reconstrução que obedece a motivações diversas, segundo época e local. Os autores e editoras de livros didáticos não são simples espectadores de seu tempo: eles reivindicam um outro status, o de agente. O livro didático não é um simples espelho: ele modifica a realidade no processo de formação das novas gerações, provendo dela eventualmente uma imagem deformada, esquematizada, maniqueísta: as ações contrárias à moral são punidas exemplarmente; e os conflitos sociais, os atos delituosos ou a violência cotidiana são silenciados.

Não é suficiente, por isso, deter-se nas questões que se referem aos autores e ao que eles escrevem; é necessário também prestar atenção àquilo que eles silenciam, pois se o livro didático é um espelho, pode ser também uma tela, observa Alain Choppin.

Sem ser especialista em políticas educacionais, ocorre-me uma sugestão, no plano do bom senso, que certamente iria contribuir para dirimir o qüiproquó recorrente entre independência na elaboração dos conteúdos e interesses do mercado. A sugestão não é original, pois já foi adotada pela França. As instituições públicas de ensino superior, em parceria com as entidades do professorado e autores de livros didáticos poderiam assumir a responsabilidade pela elaboração dos conteúdos que, uma vez produzidos, seriam colocados pelo governo em licitação pública para impressão, ou seja, para confecção física do livro. Dessa forma, a participação do mercado nos programas do livro didático seria restrita à sua fase industrial, propriamente dita, deixando-se para o Estado a responsabilidade que lhe cabe na defesa e afirmação da cultura como componente da soberania nacional.

Como afirmei neste espaço anteriormente, tudo isso são elementos suficientes para justificar a necessidade de se promover um debate nacional sobre o papel do Estado na definição de uma política nacional do livro didático.

Rui Falcão é deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores. Foi deputado federal, presidente do PT e secretário de governo na gestão Marta Suplicy.

Disponível no site de José Dirceu

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