Responsabilidade social?

Li uma matéria na revista do IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) hoje e fiquei realizada! O professor da UMESP Wilson Bueno diz tudo o que eu penso sobre responsabilidade social empresarial. Uma grande MENTIRA! São pouquíssimas as empresas que podem se auto-intitular socialmente responsáveis. Eu nem me arrisco a apontar nenhuma, por não conhecer os tramites da implantação deste processo internamente.

Uma das coisas que ele diz e que vai ao encontro do que eu sempre pensei é: como uma empresa como o Mc Donalds pode ser considerada socialmente responsável, se sua essência é prejudicial à sociedade? Além de vender alimentos que só contribuem com a obesidade (mesmo tendo uma linha de produtos naturebas só para disfarçar… ), o seu marketing é anti-ético, pois tem como foco as crianças.

Sugiro fortemente que todos leiam esta entrevista. Vou colocar a íntegra aqui (mesmo grande) pois fico com receio da página deles sair do ar daqui a algum tempo.

Revista n° 143 – Maio de 2010
Entrevista:
Muito blá blá blá e pouca prática
Já faz algum tempo que o termo responsabilidade social está na “moda” e faz parte do vocabulário das grandes empresas. Mas será que ela é realmente praticada? O tema vem sendo bastante discutido por conta da ISO 26000 – a norma da responsabilidade social -, que deve ser publicada em dezembro deste ano. O documento será finalizado de 15 a 21 de maio em uma reunião em Copenhague, na Dinamarca. O jornalista e associado do Idec Wilson da Costa Bueno falou à REVISTA DO IDEC sobre este e outros assuntos.

Além de escrever artigos para diversos veículos, editar sete sites temáticos em comunicação e manter o blog www.blogdowilson.com.br atualizado, Wilson Bueno também leciona na Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), em cujo campus concedeu esta entrevista, e é professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP).

Também é autor de alguns livros nas áreas do jornalismo especializado em que atua (científico, ambiental, em saúde e em agronegócio).

Sem papas na língua, Wilson citou empresas que mais falam do que fazem e criticou colegas de profissão que parecem ter esquecido como fazer bom jornalismo.

Idec: Os termos responsabilidade social e marketing social estão cada dia mais presentes no discurso das empresas. Qual a diferença entre eles? Eles também estão presentes na prática das empresas?
Wilson da Costa Bueno:
As empresas costumam confundir as duas coisas, tanto no discurso quanto na prática. Elas insistem em se proclamar socialmente responsáveis, mas na verdade estão desvirtuando o conceito, praticando ações pontuais para tentar se caracterizar em sua totalidade. E eu diria que nem é por desconhecimento, é voluntário, para aparecerem bem na foto. Isso acontece em alguns setores específicos, por exemplo, na indústria agroquímica, de mineração, de papel e celulose, tabagista e da saúde. Há uma diferença essencial entre responsabilidade social e marketing social. No marketing a intenção é explicitamente mercadológica, e do ponto de vista prático pouca coisa remete à comunidade. Passado o interesse em fortalecer a marca ou em ter um resultado qualquer, as empresas abrem mão dele, muitas vezes deixando profissionais ao relento. Ação pontual todo mundo pratica, até traficantes e políticos corruptos praticam boas ações. Do meu ponto de vista é necessário recuperar a totalidade e não apenas focar em coisas pontuais, como o McDonald´s, que inventou o McDia Feliz, mas continua contribuindo para a obesidade infantil, manipulando a consciência de jovens e crianças. As empresas tentam escapar com a doação de parte da receita. Já responsabilidade social seria um compromisso de gestão, de filosofia de negócios, e não uma ação pontual. Ações pontuais não devem ser confundidas com o conceito mais amplo e autêntico de responsabilidade social.

Idec: A responsabilidade social entrou em cena pela “porta” da questão ambiental, sobretudo nesta última década. O que você acha que terá mais destaque agora? Ou a questão ambiental ainda predominará por muito tempo?
WCB:
Tem havido a valorização de outro conceito, parece que mais abrangente, que é a sustentabilidade. É normal encontrar nos portais das grandes corporações o menu [link] sustentabilidade, dentro do qual está o de responsabilidade social. Por terem avacalhado o conceito e todo mundo ter virado socialmente responsável, isso não serve como diferencial. Sustentabilidade engloba responsabilidade social, responsabilidade ambiental e responsabilidade do ponto de vista econômico.

Idec: Existem muitos exemplos de marketing verde falsos, que colocam em risco a ideia de responsabilidade social. É possível fazer marketing social sem falsidade?
WCB:
É possível, mas não tem sido essa a prática das grandes corporações, como McDonald´s, Nestlé, Monsanto, Syngenta e Souza Cruz, que nem podem ser socialmente responsáveis porque, por essência, são predadoras. A indústria agroquímica não pode ser socialmente responsável porque sua essência é fazer as pessoas usarem veneno, além de emporcalhar a água e o solo. A Souza Cruz pode fazer o que quiser, mas nunca vai conseguir eliminar sua essência, que é fazer as pessoas fumarem e morrerem ou terem doenças devido ao consumo de cigarro. É preciso ficar atento às ações de marketing social porque elas podem ser, no mínimo, safadas. Imagine uma universidade que, só porque diminui a mensalidade, diz que está praticando responsabilidade social, quando a gente sabe que tem vaga pra burro sobrando. Essas ações sociais ou ambientais são, na verdade, meras tentativas de manipulação.

Idec: Você cita muitos cases de empresas que se autoproclamam socialmente responsáveis ou que são premiadas por serem consideradas as melhores para se trabalhar. Como o consumidor pode reconhecer as empresas verdadeiramente responsáveis?
WCB:
Algumas acabam sendo facilmente desmascaradas porque fazem coisas que ficam evidentes. Outras não, por exemplo, as que ganham prêmios e constroem seus cases a partir de agências e assessorias. Um case importante que eu denunciei na época foi o da Merck, quando fez o recall do Vioxx – um remédio que ela sabia que podia matar (e matou milhares de pessoas). Quando ela fez o recall, apareceu como uma empresa legal com os consumidores, porque estava tomando a iniciativa de recolher o medicamento. E ela fez todo o esforço, inclusive no Brasil, para apagar todos os rastros, recolher as caixas, deu pista para que os médicos sumissem com os receituários. Aqui no Brasil quase não sobrou gente para processá-la pelos danos que causou, mas lá fora ela teve um problema enorme. Veja as montadoras que fazem recall e jogam o problema no colo dos consumidores. No caso do Stilo, da Fiat, ou do Fox, da Volkswagen, as empresas lesaram o consumidor e depois levam do governo uma multa irrisória. Percebo que isso acontece com muita facilidade porque a legislação é muito frouxa e há cumplicidade do governo com as empresas, que fazem coisas que não fariam em países desenvolvidos. O cubo da roda do Stilo na Europa é de aço e aqui é de ferro fundido, e é por isso que quebra. O banco traseiro do Fox lá fora não tem o mesmo problema que aqui porque as empresas sabem quanto custaria o dedinho de um alemão ou de um americano. Há agroquímicos que são proibidos lá fora e são vendidos aqui porque elas sabem que vai doer muito menos no bolso. Ás vezes, vale a pena pagar a multa, cujo valor é incluído pelos laboratórios nas campanhas publicitárias. Então, uma campanha de 5 milhões fica em 5 milhões e 200 mil, esses 200 mil são a multa. Se a multa fosse de 10 milhões, certamente não fariam isso. A legislação, a cumplicidade e o lobby dessas empresas fazem com que elas se sintam em terreno favorável.

Idec: Você acha que a ISO 26000, que deve ser concluída ainda este ano, vai ajudar na apuração e até na implementação da responsabilidade social das empresas?
WCB:
Acho que apesar de os selos da ISO existirem, o panorama não mudou. As empresas continuam fazendo o que querem, e algumas a gente nem imagina como conseguiram esses selinhos, porque são empresas essencialmente predadoras. Sou um pouco descrente, meio cético. Acho que o debate é importante, mas na prática muitas empresas que têm o selo ISO não o merece. A ISO não garante muita coisa, pois parece que todo mundo tem.

Idec: Temos visto que o número de recalls aumentou. Isso significa uma vigilância maior e um sistema de notificação um pouco mais organizado?
WCB:
O fato de as empresas estarem promovendo recalls não significa que estejam controlando a qualidade e a excelência da produção. Não é possível que em um século elas não tenham aprendido a fazer carros. Nesta época em que temos recorde de produção de automóveis e concorrência cerrada, as empresas estão cuidando menos do processo de fabricação. Acho que estão ocorrendo recalls demais em todas as montadoras, até em empresas mais responsáveis, como a Toyota e a Volvo, que vende a ideia de segurança. Estão todas sob suspeita, e no Brasil o desmando é grande porque a cobrança do consumidor ainda é menor do que deveria. É muito fácil colocar anúncio de um quarto de página dizendo que 400 mil pessoas devem procurar a concessionária e agendar o conserto para os próximos três meses. Enquanto isso, o consumidor fica com um carro perigoso. Isso é maluco!

Idec: Algumas empresas já perceberam que para controlar sua imagem e reputação não basta apenas comandar a grande imprensa, também é preciso intervir nas chamadas redes sociais, como Facebook, Orkut, Twitter. O que você acha que mudará no futuro: as empresas, as redes sociais ou há uma terceira alternativa?
WCB:
Talvez existam outras alternativas dentro das redes sociais, mas acho que, de qualquer forma, temos evoluído para um cenário no qual o controle das empresas é menor, e por isso as informações sobre desmandos e abusos vazam mais. Escrevi um artigo com a ideia de mostrar que as empresas ainda não têm a cultura de dialogar nas redes sociais. Elas tentam fazer pressão, chantagem, cooptar pessoas que são protagonistas na rede, mas não têm a cultura da interação, do diálogo, da transparência. Mas acho que já houve uma mudança importante. Quando havia uns poucos jornaloides que dominavam o mercado da comunicação, era fácil os anunciantes usarem isso como tapa-boca. Hoje, eles até continuam fazendo isso, mas o número de alternativas para expressão em blogs e nas redes em si é maior, e sendo maior fica mais difícil controlar e silenciar todo mundo. Portanto, a tendência são os abusos aparecerem com mais frequência, e as empresas sabem que isso causa um impacto brutal em sua imagem e reputação. As empresas estão usando uma tática antiga que é tentar identificar os adversários para ver se conseguem silenciá-los. É mais fácil para elas fazer isso que mudar de postura. Mas como acho que não vai funcionar, algumas vão ter que mudar. As redes sociais trazem um cenário diferente – de pluralismo e de não controle. Suborno, propina e amizade com os grandes monopólios de comunicação garantiam tudo. Hoje, o controle é menor porque não se consegue comprar todos os blogueiros e twitteiros.Idec: O que é interessante na internet é o jogo de esconde-esconde, porque você não consegue ver o tamanho do outro…
WCB:
As empresas estão assustadas com isso, porque elas não têm controle, mas isso é bom. Vou dar um exemplo: há alguns anos eu recebia repetidamente na minha caixa de correio o folhetinho de responsabilidade social da Souza Cruz. Eu ficava profundamente irritado, porque eu tenho plena consciência de que a indústria tabagista nunca será socialmente responsável, já que a essência dela é vender um produto que mata as pessoas. Eu escrevi vários artigos sobre a responsabilidade social da indústria tabagista. Se você entrar no Google e digitar responsabilidade social da indústria tabagista, a Souza Cruz e a Philipp Morris não aparecem. É uma forma que a gente tem de mostrar uma outra posição que não é, necessariamente, aquela hegemônica que ela conseguiu controlando monopólios da comunicação. Isso é um dado importante. Nesse espaço [na internet] as empresas estão em desvantagem e isso é bom porque antigamente eu teria que contar com o apoio do Estadão ou da Folha. Mas eu vejo um problema: quem patrocina os cursos de formação de jornalistas do Estadão e da Folha hoje são Odebrecht, Philip Morris, Syngenta e Oi. Há uma hipocrisia, um cinismo dos grandes conglomerados de comunicação, porque, embora eles digam uma coisa no editorial, eles fazem outro jogo no departamento comercial. Os cursos para formação de jornalista do Estadão e da Folha são exemplos disso. Os parceiros são os menos éticos possíveis.

Idec: O consumo consciente depende não apenas de informação qualificada, mas de informação articulada. Onde o consumidor deve buscá-las?
WCB:
No caso do Brasil, na autorregulação, mas não acho razoável imaginar que o setor de alimentos, por exemplo, vá regular a propaganda de alimentos. Tenho restrições ao próprio Conar [Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária], pois acho que ele só toma medidas eficazes quando há pressão social. O ideal seria fortalecer as entidades independentes, que são poucas no Brasil. Sou adepto ideológico do Idec, porque sua independência em relação às empresas permite que ele possa avaliar e denunciar. O Conar pode tomar uma decisão, mas pode demorar o suficiente para a propaganda sair do ar. Isso não aconteceu com a Schincariol [no caso da propaganda da cerveja Devassa Bem Loura], mas certamente ocorre com a Ambev, com a qual o Conar é mais tolerante. Não acredito na autorregulação, creio que a sociedade tem de estar vigilante a partir de entidades independentes que possam monitorar as propagandas o tempo todo. A autorregulação é hipocrisia. Já que o governo é fraco, acho que essas entidades independentes é que podem alertar a população e conscientizá-la, além de encaminhar propostas de luta.

Idec: Como você vê o fato de alguns temas sensíveis e ainda bastante desconhecidos, como transgênicos e nanotecnologia, serem abordados na imprensa como algo positivo?
WCB:
Fico profundamente irritado com o fato de, no Brasil, os estudos sobre as vantagens dos transgênicos serem feitos sempre pela mesma empresa – a Céleres. Se você entrar no site, entre seus clientes estão todas as empresas de biotecnologia (Du Pont, Monsanto, Syngenta…). E a imprensa continua divulgando os estudos da Céleres como se fossem isentos. Esses estudos são completamente viciados, no mínimo suspeitos. E a imprensa é pouco investigativa, come nas mãos deles. Esses temas controvertidos acabam tendo uma única fonte, que são os executivos das empresas, não há debate com a sociedade, não há a presença de fontes contrárias. A imprensa brasileira está sendo pautada pelas empresas, e aí, evidentemente, compramos gato por lebre, sobretudo em alguns setores, como biotecnologia, nanotecnologia, agroquímico e saúde, o que é uma vergonha, um escândalo. Há total falta de espírito crítico por parte da imprensa brasileira, com raríssimas exceções. Tivemos recentemente uma decisão que condenou a Shell e a Basf a pagar as despesas médicas de funcionários (e de seus filhos) de uma unidade de agrotóxicos em Paulínia [cidade do interior de São Paulo]. Nenhum jornal deu a notícia [pelo menos até a realização desta entrevista, no início de abril]. Eu ouvi na CBN. E sabe por que eles não deram? Por falta de interesse. Não é nem problema de anúncio, porque essas empresas nem sempre são grandes anunciantes da mídia impressa. É falta de vergonha na cara e de capacidade de investigação. Os jornalistas ficam à mercê das notícias que chegam às redações e não vão buscá-las na rua. Isso é péssimo para nós porque o interesse público está sendo deixado em segundo plano.

Idec: É preguiça ou má formação dos jornalistas?
WCB:
Eu acho que é preguiça, pois ficam com a bunda na cadeira. Ficam a reboque dos espetáculos e das tragédias, como a do Rio de Janeiro [os desmoronamentos que ocorreram em função das fortes chuvas no mês de abril]. Esses fatos precisam ser cobertos, claro, mas tem coisa acontecendo do nosso lado que estamos deixando de comentar. Até algo positivo, como essas empresas que foram condenadas pela Justiça [Shell e Basf].

As empresas de transgênicos, por exemplo, usam o argumento que a resistência a elas vem das empresas de agrotòxicos, mas a mesma empresa que produz transgênicos, produz agrotóxicos. Portanto, esse argumento é idiota, mas a imprensa o publica sem questionar, sem perguntar qual é a empresa de agrotóxico que provoca resistência. Falta senso crítico. Por isso acho que o nosso papel como cidadão é denunciar, é botar a boca no trombone, é incentivar o uso das redes sociais para esse trabalho de enfrentamento e valorizar as entidades independentes. Não dá para depender das empresas e do sistema de autorregulação.


Fonte: Revista do IDEC

http://www.idec.org.br/rev_idec_texto_impressa.asp?pagina=1&ordem=1&id=1194

20 20UTC Maio 20UTC 2010 at 14:47 Publicar um comentário

Campanha de ajuda a cadela Vida – APASFA

Iniciei uma campanha entre amigos em ferramentas da Internet para ajudar a cadelinha resgatada pela ONG APASFA (Associação Protetora dos Animais São Francisco de Assis).

(mais…)

18 18UTC Maio 18UTC 2010 at 9:22 Publicar um comentário

Teatro ensina a usar o dinheiro

por Marcelo Onaga – Portal EXAME

Uma parceria entre a empresa de pagamento eletrônico Visa e o Banco do Brasil levará ao palco uma peça chamada “Teatro Finanças Práticas”. O espetáculo estreia na próxima segunda-feira, às 15h, no Centro Cultural do Banco do Brasil, em São Paulo. A plateia será composta exclusivamente por estudantes de 10 a 17 anos das escolas públicas convidadas para assistir ao projeto, que estará em cartaz durante dez segundas-feiras. A ideia do roteiro é mostrar por meio de três atos como é possível o adolescente economizar a própria mesada, ajudar a diminuir as despesas do lar e fazer um planejamento financeiro para a vida adulta. Para tornar esses temas mais palatáveis e interessantes, serão contadas histórias do cotidiano de meninas e meninos que aprenderam o significado das finanças pessoais na prática.  A iniciativa, que deverá contemplar outras cidades brasileiras, faz parte do programa de educação financeira da Visa, que, no ano passado, em parceria com o Banco do Brasil, lançou um game que ensinava conceitos sobre investimentos por meio de uma partida de futebol. (T.B.)

quarta-feira, 5 de maio de 2010 – 13:35

http://portalexame.abril.com.br/blogs/primeiro-lugar/2010/05/05/teatro-ensina-a-usar-o-dinheiro/

________

Essa notícia me levou a relembrar uma experiência recente que tive com este assunto. Pude participar de uma palestra sobre educação financeira ministrada por um grande banco e o que vi por ali me surpreendeu. Comecei a refletir sobre aquela iniciativa. Afinal, por que razão a educação financeira se tornou uma preocupação de algumas empresas, especialmente bancos?

Penso que a falta de crédito é um problema para o mercado. As empresas não querem quem não pode pagar pelos seus serviços. Além de ser um problema social, a dificuldade de administração do dinheiro representa um problema também para as empresas. Mesmo o financiamento e o crédito não são vendidos a quem não tem condições de pagar por eles. Portanto, saber lidar com o dinheiro é bom para as empresas.

Além disso, quem tem dinheiro e sabe poupar, usa-o para ganhar mais dinheiro. O mercado financeiro de ações é um bom exemplo de como fazer seu dinheiro render e também enriquecer os bancos. Também temos outros produtos como seguros, previdência etc. Eles também ensinam esses “macetes” às crianças e jovens.

É por essas e outras que desconfio fortemente de iniciativas como essas. Ficamos com a sensação de que está havendo uma humanização do mercado, mas na prática, o que existe são meros ajustes para que não haja perdas futuras. Mera gestão de negócios, fidelização de clientes, e toda a conversa fiada que já conhecemos.

9 09UTC Maio 09UTC 2010 at 21:31 Publicar um comentário

Agência chama criança de Pateta para vender viagem

20/04/2010

Renata, 11, combinava com uma amiga viajar em julho para a Disney. Questionada pela mãe, que não sabia de excursão nenhuma, a menina pegou uma pasta com preços do pacote tu­rístico e uma foto em que, ao la­do da colega e de um boneco do personagem Mickey Mouse, segurava a placa com os dize­res: “Se eu não for para a Disney vou ser um Pateta”.

A pasta foi entregue na escola onde a menina estuda, o Liceu Di Thiene, em São Caetano(Grande São Paulo), no começo do mês passado. Era uma pro­moção da agência de viagens “Trip&Fun”, que organiza via­gens de crianças e adolescentes também para Cancún, Barilo­che e Costa do Sauipe.

Com a publicidade que já le­vou o personagem da Disney para dentro de mais de dez es­colas, e tira fotos com as crian­ças segurando plaquinhas co­mo a do Pateta, a agência levaráem julho cerca de mil criançaspara o parque em Orlando. Os pacotes custam a partir de R$5.216, para 13 dias em quarto quádruplo (o mais barato).

“Quer dizer que você é uma pateta porque você não vai?”,perguntou à filha Renata a pe­dagoga Roberta, 40.

A menina diz que ficou triste. “Queria muito ir. Quase todomundo da sala vai”, conta. Para a mãe, que fala em processar a agência, o sentimento predo­minante foi a vergonha em re­lação aos colegas. “Ela ficou cla­ramente constrangida.”

A agência e a escola afirmam que não pretendiam constran­ger ninguém e que a placa do Pateta era apenas uma brinca­deira.

O promotor da área do con­sumidor João Lopes Guima­rães Júnior diz que o caso ilus­tra bem os abusos na publicida­de infantil. “De uma turma de cem crianças, 80 vão viajar. As que não vão, porque os pais não
querem ou não têm dinheiro,serão chamadas de Pateta. Já temos problemas sério de bull­ying nas escolas. Essa empresa está criando uma situação pro­pícia para isso. Como se pode falar em preservação da ima­gem da criança com esse tipo de publicidade?”, diz.

Publicidade infantil

Para o promotor, a ação da agência de turismo fere os arti­gos 15 e 17 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que prezam pelo “respeito à digni­dade e a inviolabilidade da inte­gridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente”.

O Instituto Alana, ONG que trabalha para regulamentar a publicidade infantil, critica as ações em escolas. “Muitas ve­zes, acontece e o pai nem sabe. É absurdo isso ser feito dentro das escolas”, diz Laís Fontene­ lle Pereira, coordenadora de educação da ONG.

O Conar (conselho de autor­ regulamentação publicitária) já baniu propagandas por consi­derá-las desrespeitosas, como uma do ovo de Páscoa Traki­nas, de abril de 2008, que dizia: “Quem não dá ovo é um mané”.

Folha de S. Paulo
, Cotidiano, 20/4/2010
Link: http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/ult10038u723037.shtml

Outro lado

Para agência e escola, placa é só brincadeira

A agência Trip&Fun afirmou que a placa que as crianças do Liceu Di Thiene e mais de outras dez escolas seguravam na foto e que faziam referência ao Pateta era apenas uma brincadeira. A empresa disse também que recebeu uma reclamação de uma mãe de aluno do colégio e imediatamente excluiu a placa com esses dizeres da promoção nas escolas.

Henrico Esichiel, diretor de marketing da agência, afirmou ontem que a campanha nas escolas oferece aos estudantes “outras opções de placas”. Entre elas, as que dizem: “Mãe, quero conhecer o Mickey de verdade” e “Meu presente de Natal já escolhi, ir para a Disney com a Trip&Fun”.

“Os alunos escolhem a que eles querem segurar. [A do Pateta] é a mais popular, a que eles acham mais legal”, diz.

A empresa diz que a promoção já aconteceu em pelo menos dez escolas e, na metade delas, a placa foi usada.

A aluna Renata confirma que escolheu a placa. “Era a mais legal. O Pateta é o de que eu mais gosto, é o mais engraçado.”

Escola

O Liceu Di Thiene diz que uma coordenadora da escola acompanhava as crianças na hora das fotos, mas que ela não viu nada de errado na frase.

“Ela não viu a mensagem da forma [pejorativa] que está sendo colocada”, diz um dos diretores da instituição, Eleandro Monteiro.

“Eu não entendo que o Pateta é um pateta. Pateta é o nome de um personagem. Vocês estão criando um negócio que é absurdo”, complementa.

Ele disse, no entanto, que, ao receber uma reclamação de uma mãe, entrou em contato com a agência e pediu para que a placa deixasse de ser usada.

“[A placa] não tinha a intenção de constranger ninguém.

Só uma mãe me questionou, nenhuma criança levou isso tão a sério”, diz o diretor. A mãe de Renata disse que não foi ela quem levou o caso do Pateta à direção do colégio.

O colégio cobra mensalidades em média de R$ 500 no ensino fundamental e tem cerca de 400 alunos.
“Nenhuma criança chamou a outra [de Pateta]. O perigo de tudo isso é essa mãe [que fez a denúncia à Folha] expor a criança dessa forma.”

Colaboraram FERNANDO ITOKAZU, da Reportagem Local, GUILHERME GENESTRETI e LUIZ GUSTAVO CRISTINO

Folha de S. Paulo
, Cotidiano, 20/4/2010
Link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2004201003.htm

ANÁLISE

Para que se educa?

Por Michelle Prazeres*

No ato de uma empresa de turismo usar escolas como mídias para divulgar viagens à Disney está em jogo, acima de tudo, uma concepção de educação. Para que educamos? Para o desenvolvimento? Para o crescimento? Para sermos bem-sucedidos no mercado de trabalho? Para a vaidade e o hedonismo? Para a cidadania e a dignidade? Ou a ênfase está na formação de consumidores?

Interessa aqui discutir a educação como processo amplo de formação dos indivíduos, socializados por influência de múltiplas matrizes culturais, que transmitem valores, visões de mundo, saberes e percepções.

Na modernidade, as mídias e a publicidade despontam como matrizes que -com a família, a escola, os grupos de pares, os colegas de trabalho e outras instituições- são responsáveis pela formação das pessoas.

Nessa iniciativa, a escola se alinha ao discurso do consumismo que vemos hoje em dia, em especial na mídia dirigida a crianças. Quando a escola se entrega a esse projeto, fica comprometido o seu papel enquanto reduto de reflexão e o sentido da educação como processo de preparação para a vida.

A escola é o lugar do saber legítimo, que se crê oficialmente importante para ser passado. O problema é que, historicamente, esse saber é produto de disputas de poder nem sempre democráticas. E se, nos tempos modernos, um dos vetores de poder é a publicidade (o mercado), seria “natural” que ela estivesse na escola.

Mas, se o “clima pró-consumo” já existe em tantas outras instâncias, a escola deve reforçá-lo? Ceder ao apelo publicitário é empobrecer o sentido humano da educação. E esse sentido enxerga nas crianças outras possibilidades além de consumidores: leitores, produtores de conhecimento, investigadores, críticos, lúdicos etc.

Hoje, todo espaço público, todo corpo pode virar um meio de divulgar uma marca. Na escola, a criança percebe aquele discurso como positivo e, mais grave, que tem o respaldo de pessoas em quem ela e os pais confiam. E tudo de maneira dócil. Por isso não nos causa incômodo. Mas deveria incomodar.

*Michelle Prazeres, jornalista, desenvolve pesquisa sobre a entrada das mídias nas escolas em doutorado na Faculdade de Educação da USP.

Folha de S. Paulo, Cotidiano, 20/4/2010
Link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2004201004.htm

entrevista

“Escola é diferente de shopping”

Para João Matta, professor de publicidade infantil da ESPM, há excesso de moralismo nos que criticam a publicidade para crianças e pedem seu banimento. Ele afirma, porém, que a escola é “um espaço que precisa ser preservado”. “É diferente de um shopping.” (TB)

FOLHA – Por que fazer publicidade para criança?
JOÃO MATTA -
Quando você tem uma publicidade feita para a criança, também indiretamente atinge o pai. O que se busca na publicidade infantil é o envolvimento da criança no mercado consumidor porque ela é uma consumidora. Há produtos em cuja compra a criança influencia muito mais, como no caso dos brinquedos.

FOLHA – Como vê as críticas à publicidade infantil?
MATTA -
O que me preocupa é um excesso de moralismo em relação ao público infantil, desprezando um pouco a capacidade dele. É lamentável [defender que não haja propaganda para crianças]. A criança não tem só o estímulo do produto infantil. Ela assiste à novela das oito, ela tem acesso ao noticiário, viu a simulação da morte da Isabella [Nardoni] na TV mais de 50 vezes, que é absurdamente mais agressivo que uma propaganda que fale para ela comer uma maçã, que a propaganda de uma boneca.
Mas na escola tenho uma visão mais pragmática. É um espaço que precisa ser preservado. É diferente de um shopping.

Folha de S. Paulo, Cotidiano, 20/4/2010
Link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2004201005.htm

Fonte: Instituto Alana – notícias

9 09UTC Maio 09UTC 2010 at 21:24 Publicar um comentário

Leonardo Boff- A Terra sujeito de dignidade e de direitos

Neste texto, publicado no Instituto Akatu, o teólogo e professor Emérito da UERJ  toca nos aspectos principais de suas reflexões, publicadas em seus livros. O autor parte da idéia central de que a Terra em si é um organismo vivo e, por isso, precisa ser cuidada como todo ser vivente.Ele se apóia especialmente na ciência cosmológica e na física quântica.

Assim, é preciso compreendê-la como um organismo autônomo, passível de direitos, que seriam “[...] de poder continuar inteira, limpa e com capacidade de reprodução e de regeneração.”

Partindo deste pressuposto, “está em discussão um projeto na ONU de um Tribunal da Terra que pune quem viola sua dignidade, desfloresta e contamina seus oceanos e destrói seus ecossistemas , vitais para a manutenção dos climas e da vida”.

É uma visão interessantíssima. O texto é sucinto, quem quiser conhecer mais sobre esta teoria, sugiro a leitura dos livros do autor, bem como do DVD “A Quatro Ecologias”. Infelizmente ainda não está disponível no youtube, mas pode ser comprado neste link.

Para ler o texto, clique aqui

30 30UTC Abril 30UTC 2010 at 22:36 Publicar um comentário

Recife retira livro sobre educação sexual de escolas

‘Mamãe, como eu nasci?’

Letícia Lins

RECIFE. Escrito por um autor premiado pela Academia Brasileira de Letras e considerado referência nacional no tema da educação sexual infanto-juvenil, o livro “Mamãe, como eu nasci?”, de Marcos Ribeiro, foi recolhido ontem das escolas da rede municipal de Recife. A ordem partiu da Secretaria de Educação, depois que o livro despertou polêmica entre professores, alunos e até na Câmara Municipal, onde chegou a ser chamado de “cartilha pornô”.

O livro aborda o sexo sem disfarce e é farto em ilustrações, inclusive com cenas de masturbação. Um menino manuseia o órgão genital ao tomar banho numa banheira, e uma menina faz o mesmo assistindo à televisão.
Sexo será um tema sempre polêmico, até o Brasil se tornar um país desenvolvido. É um assunto tão controvertido quanto aborto, homossexualismo e drogas

A publicação tem 18 anos, é aprovada pelos Ministérios da Saúde e da Educação, e adotada por estados e municípios de todo o país. Só este ano começou a ser distribuída em Recife. Foi entregue a 25 mil alunos com idades entre 7 e 10 anos.

As reações começaram na última quinta-feira, logo após a entrega do livro aos alunos. Na Escola Municipal Santo Amaro, a vendedora Aline Maciel, de 20 anos, disse que chegou a esconder o livro da irmã de 9 anos, temendo a reação do pai, que “é muito tradicional”. Na sexta-feira, o secretário de Educação, Cláudio Duarte, disse que o livro seria mantido. Mas, anteontem, a reação chegou à Câmara. O vereador André Ferreira (PMDB) disse que a obra contém “explicações estarrecedoras” sobre o sexo e, com outros três vereadores, pediu o veto à publicação.

O secretário mandou recolher os volumes, mas disse que a medida não é definitiva:

- Sexo será um tema sempre polêmico, até o Brasil se tornar um país desenvolvido. É um assunto tão controvertido quanto aborto, homossexualismo e drogas. Estamos orientando o recolhimento do livro para construir uma abordagem metodológica. Faremos um debate sobre o tema, ouvindo pais, diretores e professores. Não estamos nos rendendo à crítica política, apenas abrindo o debate técnico.

O Globo, 28 abr. 2010.

30 30UTC Abril 30UTC 2010 at 21:55 Publicar um comentário

Escolas públicas discutem consumo consciente

Notícias

12/4/2010

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Akatu capacita mais de 200 professores e leva temas de consumo consciente e sustentabilidade a mais de 2 mil alunos de escolas públicas estaduais de cinco Estados

Professoras

Por Rogério Ferro, do Instituto Akatu

Desde o mês passado, cerca de 2 mil alunos de 14 escolas públicas distribuídas por cinco Estados do Brasil – Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso, Rio Grande do Norte e Roraima – estão discutindo e refletindo sobre conceitos de consumo consciente e sustentabilidade em sala de aula. A ação constitui a segunda fase do projeto piloto Educação para o Consumo Consciente e Sustentabilidade Ambiental que, em 2009, capacitou 206 professores para a temática. O projeto é desenvolvido pelo Akatu em parceria com secretarias estaduais de Educação e patrocinado pela HP Brasil, parceira pioneira do Akatu.

Na primeira etapa do projeto, os professores participaram de uma formação sobre consumo consciente e sustentabilidade com carga horária de 30 horas. Ao final dessa etapa, cada professor que participou da formação elaborou um projeto temático contendo atividades a serem trabalhadas com os alunos durante o primeiro semestre de 2010.

“Demos liberdade aos professores para que, ao elaborarem seus projetos temáticos pudessem levar em conta a realidade da escola e da comunidade do entorno, buscando atividades que despertem nos alunos a preocupação com a sustentabilidade da vida no Planeta por meio do consumo consciente”, explica Camila Melo, coordenadora do projeto.

Gestão de resíduos, consumo consciente, água, economia solidária e consumo e desigualdade social são os temas mais reincidentes entre os projetos elaborados pelos professores e que estão sendo transmitidos aos alunos neste semestre.

“A participação dos alunos é animadora. Eles gostam do que é diferente, por isso a recepção deles é excelente, demonstrando muito interesse”, relata Vilma Rosane Arrial, professora da Escola Estadual Sylvio Torres, no Rio Grande do Sul, que trabalha o tema Consumo Consciente e Economia Solidária. A professora revela também que, apesar do apoio da diretora da escola e dos alunos, desenvolver a questão ambiental vinha sendo “desgastante” por falta do envolvimento e comprometimento da comunidade. Entretanto “a partir da parceria com o Akatu, isso mudou. O posto de saúde nos propôs um projeto conjunto, um grupo de ‘amigos da escola’ iniciou um trabalho conosco e cada vez mais professores se juntam ao projeto. O sonho tem chances reais de se concretizar”, festeja.

Para Heloisa Mello, gerente de operações do Instituto Akatu, “o projeto responde de forma direta a intenção do Akatu de atuar em escala e velocidade maiores, para ampliar os impactos das ações do instituto”.
“A escola é um espaço fundamental para a formação do cidadão; com projetos como este, portanto, o Akatu contribuirá de forma mais sólida e eficaz para que professores e alunos se tornem potenciais agentes transformadores da sociedade em busca da sustentabilidade”, diz Heloisa.

“Colocamos nossos esforços nas escolas garantindo que consumidores de hoje e amanhã possam ter essa educação que lhes permita escolher melhores práticas, hábitos e até produtos que vão utilizar hoje e no futuro”, declara Kami Saidi, diretor de operações da HP Brasil, que financia o projeto.

O projeto
A primeira fase do projeto foi implantada em 2009 e foram testados três modelos de formação de professores: presencial, semipresencial e à distância. “Esperávamos formar uma média de 120 educadores e, para a nossa surpresa, alcançamos 206. E esse número nos revela o interesse dos professores pela temática, tão urgente em nosso tempo, e nos motiva a continuar disseminando o consumo consciente para esse público”, afirma Camila Melo.
A avaliação dos processos, conteúdos, materiais e resultados das formações e do trabalho com alunos será feita no início do segundo semestre de 2010.  Ao final deste trabalho, o Akatu estima que, além dos mais de 2 mil alunos do ensino fundamental 2 que já vêm discutindo conceitos e práticas de consumo consciente, terá atingido um público indireto estimado em mais de 7.000 pessoas, entre familiares, comunidade escolar e entorno. Outro resultado importante será a identificação de um modelo de formação para o consumo consciente e a sustentabilidade ambiental que será adotado para a continuidade do projeto pelas escolas públicas no Brasil.

Para dar apoio aos professores na realização de seu Projeto Temático, foram enviados 120 livros para cada escola, contendo o material paradidático “Trilha do Consumo Consciente: suas escolhas transformam o mundo”, elaborado pelo Instituto Akatu e voltado aos alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental. Estes livros poderão ficar na biblioteca da escola à disposição dos alunos.

Como complemento ao livro, o Akatu desenvolveu uma plataforma de ensino à distância que, na primeira etapa do projeto, serviu apenas aos professores participantes do modelo à distância e do modelo semipresencial. A partir de agora, a plataforma poderá ser utilizada por todos os professores participantes do projeto, servindo como uma comunidade virtual de aprendizagem em que, além de visualizar os módulos de formação, os professores poderão ter acesso a conteúdos complementares, disponibilizados na biblioteca virtual, tais como vídeos, textos e links.

Na plataforma, os professores também poderão conhecer todos os projetos temáticos criados pelas escolas dos cinco Estados, além de trocar informações e sugestões com todos os professores envolvidos e com a equipe do Akatu. Dessa forma, todos serão beneficiados com as diferentes oportunidades de disseminação do tema.

Fonte: Instituo Akatu

14 14UTC Abril 14UTC 2010 at 18:25 Publicar um comentário

O ranço ideológico na educação

07/04/2010
- O Estado de S.Paulo
Disponível em: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100407/not_imp534839,0.php#noticia

A exemplo do que ocorreu com as Conferências Nacionais de Comunicação e Direitos Humanos, as propostas aprovadas pela 1.ª Conferência Nacional de Educação, que foi encerrada na última quinta-feira com a participação do presidente Lula, têm como denominador comum a expansão do dirigismo estatal e a supressão da liberdade de iniciativa no setor. Atualmente, as universidades particulares respondem por 75% das matrículas do ensino superior no País e muitas delas, além de abrir capital, têm recebido vultosas somas de fundos de investimentos para financiar sua expansão.

A justificativa dos participantes da 1.ª Conferência Nacional de Educação é que o ensino superior seria um “bem público”, motivo pelo qual a oferta de vagas por universidades privadas e confessionais teria de ser feita por meio do regime de concessão, como ocorre nas áreas de energia, petróleo e telecomunicações. Para os 3 mil sindicalistas e representantes de movimentos sociais e ONGs que aprovaram essa proposta absurda, se cabe ao governo federal “articular” o sistema educacional, a União deveria “normatizar, controlar e fiscalizar” as instituições de ensino superior do País, por meio de uma agência reguladora, além de estabelecer parâmetros para currículos, projetos pedagógicos e programas de pesquisa para todas elas.

Essa tese colide frontalmente com a Constituição de 88, que é clara e objetiva em matéria de ensino. Ela prevê a livre iniciativa no setor educacional, concede autonomia didática, científica, administrativa e patrimonial às universidades e assegura aos Estados e municípios ampla liberdade para organizar suas respectivas redes escolares.

Como ocorreu nas Conferências Nacionais de Comunicação e Direitos Humanos, as entidades representadas na 1.ª Conferência Nacional de Educação ? das quais pelo menos 40 atuam em áreas estranhas aos meios acadêmicos ? em momento algum esconderam sua aversão ao livre jogo de mercado. Segundo elas, por visar ao lucro, as universidades particulares, ao contrário das universidades públicas, não se preocupariam com a qualidade dos serviços que prestam.

A afirmação é falaciosa, uma vez que há instituições privadas muito bem classificadas no ranking do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), assim como existem instituições federais que certamente não seriam autorizadas a funcionar, caso o Ministério da Educação fosse mais rigoroso na aplicação das regras por ele mesmo estabelecidas. É esse o caso das Universidades Federais do Vale do Jequitinhonha, que foi inaugurada por Lula sem ter corpo docente, e do ABC, que funciona em meio a um canteiro de obras atrasadas e abriu seu primeiro processo seletivo sem dispor sequer de laboratórios e de bibliotecas.

Além de investir contra a iniciativa privada, as propostas aprovadas na 1.ª Conferência Nacional de Educação esvaziam as competências das Secretarias Municipais e Estaduais de Educação, atribuindo-lhes o papel de meros fóruns consultivos. E, em nome da “democratização” do ensino, defendem a inclusão de integrantes da “sociedade civil organizada” nos órgãos educacionais. Com isso, os Conselhos Nacional e Estaduais de Educação deixariam de existir e sindicalistas vinculados à Central Única dos Trabalhadores, militantes de agremiações partidárias e representantes de ONGs sustentadas por dinheiro governamental poderiam interferir na formulação, implementação e execução da política do setor, colocando os interesses corporativos, políticos e ideológicos à frente do interesse público.

Tão ou mais espantoso do que o ranço ideológico das propostas da 1.ª Conferência Nacional de Educação foi a reação das autoridades educacionais. Elas se comprometeram a incluí-las no Plano Nacional da Educação ? o projeto do MEC que define as principais políticas educacionais dos próximos dez anos e que em breve será enviado ao Congresso. Nos países desenvolvidos, o poder público estimula o aumento dos investimentos privados no ensino superior. O MEC, que na gestão do presidente Lula não conseguiu diminuir as taxas de evasão e repetência, faz o contrário.

8 08UTC Abril 08UTC 2010 at 8:34 Publicar um comentário

Educação – Carta de Demerval Saviani

Educação

“A mídia, de modo geral, incluída a Folha [de S.Paulo], comunga com empresários e políticos o discurso, mais ou menos unânime, de que a educação, na dita “sociedade do conhecimento”, em que nos encontramos atualmente, é a coisa mais importante, devendo ser, portanto, a prioridade número 1 dos governos e da sociedade como um todo.

No entanto, assim como os governos relutam em traduzir a referida prioridade em mais investimentos, a mídia também se nega a traduzi-la no noticiário referente às iniciativas educacionais. A semana que passou foi palco de um dos principais acontecimentos da educação brasileira: a Conferência Nacional de Educação (Conae), aberta em Brasília na noite de 28 de março, e encerrada no dia 1º de abril.

Essa conferência tratou de dois temas fundamentais: a organização do Sistema Nacional de Educação e a elaboração do Plano Nacional de Educação, que deverá substituir o atual. Dos resultados da Conae deverão sair projetos de lei a serem encaminhados ao Congresso Nacional para discussão e aprovação.

Apesar da grande importância desse acontecimento, a mídia falada e escrita nada publicou a respeito. Acompanhei como assinante a Folha para ver o que seria publicado sobre o assunto. A Conae se encerrou e nada encontrei. Como explicar essa omissão da mídia diante de algo que ela mesma proclama como de transcendental importância? Seria tal proclamação apenas uma máscara a disfarçar o desinteresse de nossas elites dominantes e dirigentes no que se refere a uma educação que efetivamente venha a propiciar a toda a população brasileira uma visão clara e consistente da situação em que vive?”

DERMEVAL SAVIANI, professor emérito da Unicamp (Campinas, SP)

Publicada em 5 abr. 2010 na Folha de S.Paulo.

7 07UTC Abril 07UTC 2010 at 9:59 Publicar um comentário

A conferência da educação

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100404/not_imp533309,0.php
- O Estado de S.Paulo

Criadas há mais de duas décadas a pretexto de fortalecer os mecanismos populares de representação política, mediante o envolvimento dos diferentes setores da sociedade civil e instâncias governamentais na formulação de políticas públicas, as conferências nacionais têm sido amplamente utilizadas pelo governo Lula para conquistar o apoio de movimentos sociais, ONGs e corporações profissionais. Apresentadas como alternativa ao modelo da democracia representativa, elas começam com reuniões locais, prosseguem com reuniões estaduais e culminam num encontro nacional, sempre com articulação e patrocínio do governo.

A ideia é que as diretrizes e propostas aprovadas com base nesse “experimentalismo democrático” acabem subsidiando programas governamentais e se convertam em lei. Para os defensores desse modelo, as “práticas participativas em escala nacional” resultam em projetos com mais legitimidade do que os formulados pelos canais legislativos tradicionais. Já foram realizadas 2 conferências no governo Collor, 6 no governo Itamar, 17 no governo FHC e 55 nos dois mandatos de Lula. Tiveram grande repercussão as conferências sobre comunicações e direitos humanos que, dado o viés ideológico que caracteriza o “participacionismo”, culminaram em propostas de cerceamento das liberdades, limitando o direito de informação, impondo dificuldades para a expansão da iniciativa privada no campo da mídia e criando conselhos e órgãos corporativos sob controle governamental.

Por isso, pouco se pode esperar dessa experiência para o aperfeiçoamento da democracia. Convocada para discutir o futuro da educação, a conferência mais recente, realizada essa semana, não fugiu à regra. Foram apresentadas mais de 5 mil propostas e o objetivo do ministro Fernando Haddad é aproveitar as que forem aprovadas pelos 3 mil delegados para definir o Plano Nacional de Educação, que vai estabelecer as diretrizes do ensino público de 2011 a 2020. A ideia é enviar o projeto para o Congresso e mobilizar a base governista para tentar aprová-lo este ano – o que parece bastante improvável.

Defendida pelo Ministério da Educação, a proposta mais ambiciosa postula para o ensino uma estrutura administrativa nos moldes do Sistema Único de Saúde. A ideia é criar um processo decisório compartilhado, por meio de um órgão normativo integrado por representantes do MEC, gestores estaduais e municipais, trabalhadores do setor e organizações sociais. Com isso, a União teria flexibilidade para atualizar o currículo do ensino básico. Já as secretarias municipais e estaduais da educação seriam obrigadas a adotá-lo, mas teriam liberdade para implementá-lo.

De saída, a proposta esbarra em dois problemas. O primeiro é orçamentário – o próprio MEC reconhece que, para ter sucesso, ela precisará de vultosas verbas adicionais. O segundo problema é político. A proposta compromete a autonomia dos Estados e municípios, consagrada pela Constituição. Além disso, não faz sentido esvaziar o Conselho Nacional de Educação, que é integrado por especialistas, repassando as prerrogativas para um órgão normativo com representação de “trabalhadores e organizações sociais”.

Mais uma vez uma conferência nacional foi utilizada com propósitos corporativos. E isso fica ainda mais evidente nas propostas que tratam de salários e de carga horária. Os docentes querem ganhar mais e trabalhar menos. Em nome da isonomia, os servidores administrativos das escolas e secretarias querem as mesmas regalias pleiteadas pelos professores. De onde sairia o dinheiro para tanta gastança? – indagam alguns secretários municipais de educação. Da flexibilização da Lei de Responsabilidade Fiscal e da aprovação de uma lei que obrigue a União a aumentar os investimentos em educação em 1% do PIB por ano, até chegar ao patamar de 10%, em 2014, responderam os participantes da 1.ª Conferência Nacional da Educação.

E, assim, a conferência da educação provou ser do mesmo gênero das conferências de comunicação e direitos humanos. Produziu textos absolutamente inúteis para orientar ou mesmo subsidiar políticas públicas absolutamente inviáveis mesmo se o Brasil “continuar nas mãos de Lula” – o que pode não acontecer.

7 07UTC Abril 07UTC 2010 at 9:54 Publicar um comentário

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